Após os excessos das festas, cansaço, alterações de humor e peso podem ser sinais de desequilíbrios no organismo

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Quando o cansaço, o humor e o peso não são “falta de força de vontade”: o que o cérebro e o corpo estão tentando dizer

“Tristeza sem motivo aparente, irritabilidade frequente, ansiedade que vai e vem, dificuldade de foco e uma sensação constante de cansaço mental são queixas cada vez mais comuns no consultório. Muitas vezes, esses sintomas são interpretados apenas como emocionais ou psicológicos, mas, em grande parte dos casos, têm origem bioquímica, hormonal e metabólica. O cérebro precisa de nutrientes específicos para funcionar bem e regular emoções, motivação e energia. Quando esses cofatores estão em falta, até os melhores tratamentos podem falhar.
Vitaminas como B12, colina e folato participam de uma rota metabólica fundamental chamada metilação, responsável pela produção de neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina, diretamente ligados ao bem-estar, à motivação, ao foco e à energia mental. Quando há deficiência desses nutrientes, o cérebro perde a capacidade de regular o humor de forma adequada, e o corpo responde com sintomas persistentes, que muitas vezes não melhoram apenas com mudanças de rotina ou uso de medicações. Além disso, níveis elevados de homocisteína estão associados à inflamação cerebral, maior risco de depressão, esgotamento mental e até doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer — alterações que podem e devem ser investigadas e tratadas com o olhar correto.
A fadiga excessiva é outro sinal de alerta importante. Sentir cansaço ocasional é normal, mas quando a exaustão é constante, profunda e não melhora com descanso, é preciso investigar. Essa fadiga persistente pode ter origem hormonal, nutricional ou metabólica. Alterações da tireoide, como o hipotireoidismo, desaceleram o metabolismo e geram cansaço, ganho de peso e até sintomas depressivos. O cortisol, hormônio do estresse, quando desregulado — seja alto em quadros de sobrecarga ou baixo em estados de exaustão — também compromete a energia. Níveis baixos de testosterona, inclusive em mulheres, afetam disposição, força muscular e vitalidade. Já os desequilíbrios entre estrogênio e progesterona, comuns na pré-menopausa, menopausa ou na síndrome dos ovários policísticos, impactam diretamente o sono, o humor e a energia.
Do ponto de vista laboratorial, deficiências de ferro, ferritina, vitamina B12, vitamina D e magnésio, além de hipoglicemia ou resistência insulínica — mesmo com glicemia aparentemente normal — estão entre as causas frequentes de fadiga crônica. Por isso, não é normal viver cansado. É essencial investigar, corrigir deficiências e tratar a causa, e não apenas os sintomas.
Essa conexão entre mente e corpo é vital. A saúde mental não funciona de forma isolada da saúde física. O estresse crônico, a ansiedade e a depressão aumentam o risco de doenças cardiovasculares, prejudicam o sono, enfraquecem o sistema imunológico e influenciam escolhas alimentares inadequadas. Ao mesmo tempo, doenças físicas e metabólicas afetam diretamente o emocional, aumentando sentimentos de insegurança, isolamento e queda da autoestima. Emoções, hormônios e imunidade caminham juntos.
Até mesmo o controle do peso começa no cérebro. O hipotálamo, uma pequena estrutura cerebral, funciona como um verdadeiro centro de comando do metabolismo, regulando fome, saciedade e gasto energético. Em situações de estresse crônico, alimentação inflamatória, privação de sono e sedentarismo, esse sistema pode perder sensibilidade a hormônios como leptina e insulina. O resultado é um ciclo de mais fome, maior acúmulo de gordura e menor gasto energético, mesmo quando a pessoa sabe o que deveria fazer. Isso reforça que o ganho de peso não é apenas uma questão de força de vontade, mas de biologia e neuroendocrinologia.
Cuidar da saúde, portanto, exige uma abordagem integrada. Alimentação anti-inflamatória, sono de qualidade, atividade física regular, manejo do estresse, correção de deficiências nutricionais e acompanhamento médico individualizado são pilares fundamentais. O corpo dá sinais o tempo todo. Tristeza persistente, fadiga crônica, dificuldade de foco e ganho de peso não são exagero nem fraqueza. São pedidos de ajuda que merecem ser ouvidos com ciência, estratégia e respeito.”

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Fonte: Assessoria de Imprensa. / Foto: Divulgação e Freepik.

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