No mesmo dia em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil, lideranças da direita foram às redes sociais indicar que a prioridade agora é reorganizar a oposição e olhar para as próximas eleições. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), publicou um vídeo agradecendo o senador pela campanha e defendeu a união do campo político em torno de uma oposição vigilante ao governo federal. Já o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, registrou uma reunião com a senadora eleita Michelle Bolsonaro (PL-DF) para discutir os rumos do partido.
Em seu pronunciamento, Tarcísio afirmou que a eleição terminou, mas que permanece o desejo de parte da população por mudança. Ele agradeceu a mobilização durante o pleito e mencionou os 60 milhões de brasileiros que votaram. O governador também defendeu pautas como responsabilidade fiscal, corte de gastos e combate ao crime organizado, além de cobrar que o novo governo seja fiscalizado de perto nos próximos quatro anos.
Valdemar Costa Neto, por sua vez, evitou comentar a postura de Flávio e preferiu divulgar uma foto ao lado de Michelle Bolsonaro. Na publicação, declarou que a conversa tratou do futuro do partido e dos desafios pela frente, pregando união, diálogo e compromisso com o Brasil. A senadora eleita não se manifestou na publicação.
Nos bastidores, a saída de Flávio gerou irritação entre aliados, segundo relatos. A reclamação é que o senador teria descumprido a promessa de permanecer no país e se dedicar à organização da oposição, feita na véspera. A fuga ocorreu após intimação para entregar os passaportes à Polícia Federal (PF), no âmbito de investigação sobre lavagem de dinheiro e evasão envolvendo o senador e o empresário Willer Tomaz. O pedido de apreensão dos documentos foi atendido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O governo dos Estados Unidos confirmou a emissão de vistos para Flávio e seus familiares. O advogado mexicano Simón Levy, ligado ao movimento Make America Great Again (MAGA), do presidente Donald Trump, informou que o senador chegou em segurança ao país. Em Brasília, a avaliação entre parlamentares e ministros é de que não há vácuo na política e que, com a saída de Flávio, abre-se espaço para novos nomes, especialmente de olho em 2030, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não estará mais na disputa nacional e a família Bolsonaro acumulará duas derrotas consecutivas.