A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, sob o controle do Partido Republicano, aprovou nesta quarta-feira (22) uma proposta orçamentária que destina US$ 95 bilhões (aproximadamente R$ 418 bilhões) para fortalecer as ações do governo Trump na guerra contra o Irã. A votação foi acirrada, com 216 votos a favor e 214 contra, permitindo que os republicanos utilizem um procedimento especial no Senado, conhecido como "reconciliação", para aprovar o financiamento sem depender do apoio dos democratas.
Desse montante, US$ 60 bilhões serão direcionados ao Departamento de Defesa, além do orçamento de cerca de US$ 1 trilhão já estabelecido para as Forças Armadas neste ano. Este novo aporte ocorre em meio à contínua e onerosa guerra contra o Irã, que tem gerado um alto custo para os contribuintes americanos.
Jodey Arrington, presidente da Comissão de Orçamento da Câmara e deputado republicano do Texas, declarou que os recursos visam “apoiar nossas tropas em momentos de necessidade”, enfatizando a importância da prontidão no campo de batalha e a necessidade de munições e bombas para concluir as operações com segurança e êxito.
Por outro lado, o deputado Brendan Boyle, da Pensilvânia e membro sênior do Partido Democrata na comissão, criticou a proposta, argumentando que ela ampliaria em quase US$ 100 bilhões os déficits governamentais em um momento em que a dívida nacional está prestes a atingir US$ 40 trilhões. Boyle ressaltou a falta de medidas para reduzir os preços dos combustíveis e alimentos, chamando a guerra contra o Irã de “a mais impopular da história dos Estados Unidos”.
A organização Comitê para um Orçamento Responsável, que atua de forma apartidária, alertou que o custo de US$ 95 bilhões do plano orçamentário dos republicanos poderia, na verdade, atingir US$ 130 bilhões ao se considerar os juros sobre os empréstimos necessários para financiar tais gastos. Essa análise destaca as implicações econômicas da proposta em um cenário fiscal já desafiador.
Em março, analistas estimaram que a guerra contra o Irã estava custando aos cidadãos americanos mais de US$ 890 milhões por dia. Esses gastos incluem operações aéreas e navais, forças terrestres e sistemas de defesa, com a fase inicial do conflito sendo a mais dispendiosa. Em maio, o responsável pela supervisão do orçamento do Pentágono, Jules “Jay” Hurst III, havia estimado um custo de US$ 29 bilhões para a operação militar.