Araras-canindés retornam ao Rio de Janeiro após dois séculos

ICMBio/Parque Nacional da Tijuca

Reintrodução de araras-canindés no Parque Nacional da Tijuca marca projeto de restauração da Mata Atlântica

Araras-canindés retornam ao Rio após 200 anos com projeto no Parque Nacional da Tijuca visando restauração da Mata Atlântica.

As araras-canindés retornaram ao Rio de Janeiro após mais de 200 anos de ausência, voando livres no Parque Nacional da Tijuca. A reintrodução reforça o compromisso com a restauração ecológica da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do Brasil.

O projeto e a reintrodução

A iniciativa é liderada pela Organização da Sociedade Civil Refauna, com suporte do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e parceiros nacionais e internacionais. As primeiras araras, batizadas como Fernanda, Fátima e Sueli, foram soltas no dia 7 de janeiro de 2026, após sete meses de aclimatação iniciada em junho de 2025.

As aves vieram do Parque Três Pescadores, em Aparecida (SP), e passaram por treinamento gradual que envolveu exercícios de voo, fortalecimento muscular, adaptação alimentar a frutos nativos e minimização do contato humano. Esses cuidados foram essenciais para garantir a sobrevivência e adaptação ao habitat natural.

Monitoramento e tecnologia a favor da conservação

Cada arara possui anilhas, microchips e colares de identificação para facilitar o monitoramento. A equipe técnica acompanha de perto a saúde e comportamento das aves, com apoio da população que pode enviar registros por meio das redes sociais do Refauna e do aplicativo SISS-Geo, desenvolvido pela Fiocruz.

Em caso de riscos à saúde ou dificuldades de adaptação, os especialistas têm a opção de recaptura para manejo. Uma arara chamada Selton ainda aguarda sua soltura, pois passa pelo período de troca de penas, com previsão de ser liberado em breve e se juntar a novos casais previstos para 2026.

Desafios e expectativas

O planejamento do projeto teve início em 2018 e enfrentou desafios significativos, especialmente relacionados à área sanitária, conforme explicou Lara Renzeti, bióloga e coordenadora da reintrodução. Para o ICMBio, a soltura marca um momento histórico, uma vez que as araras-canindés voltam a fazer parte do ecossistema do Rio de Janeiro e da identidade dos cariocas.

O futuro da espécie na Mata Atlântica

O projeto prevê a reintrodução gradual de até 50 araras-canindés ao longo dos próximos cinco anos, com o objetivo de consolidar o retorno da espécie ao seu habitat original. A presença dessas aves pode contribuir para o equilíbrio do ecossistema, dispersão de sementes e fortalecimento da biodiversidade na região.

A iniciativa reforça a importância da conservação ambiental e do trabalho conjunto entre organizações civis, órgãos governamentais e a sociedade para preservar a fauna brasileira e garantir que espécies emblemáticas, como as araras-canindés, possam continuar a encantar as futuras gerações.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: ICMBio/Parque Nacional da Tijuca

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