Receita Federal reporta crescimento de 20,54% da arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras no último ano
Em 2025, a arrecadação do IOF totalizou R$ 86,5 bilhões, valor 20,54% maior que o registrado em 2024, informou a Receita Federal.
Em 2025, a arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) pelo governo federal atingiu R$ 86,5 bilhões, representando um crescimento de 20,54% em relação aos R$ 71 bilhões arrecadados em 2024, conforme divulgado pela Receita Federal em 22 de janeiro de 2026.
Crescimento expressivo da arrecadação do IOF
Somente no mês de dezembro de 2025, a arrecadação do IOF foi de R$ 8,6 bilhões, um aumento de 26,7% comparado a dezembro de 2024, quando foram recolhidos R$ 6,8 bilhões. Esse resultado reflete uma diferença de aproximadamente R$ 1,8 bilhão entre os dois períodos.
Contexto da arrecadação total do governo federal
Além do IOF, a receita do governo federal com impostos, contribuições e outras receitas somou R$ 2,89 trilhões em 2025, valor corrigido pela inflação e considerado o melhor desempenho arrecadatório desde 1995, tanto para o mês de dezembro quanto para o acumulado do ano.
A arrecadação mensal detalhada do ano foi:
Janeiro: R$ 301,2 bilhões
Fevereiro: R$ 202,4 bilhões
Março: R$ 209,7 bilhões
Abril: R$ 247,7 bilhões
Maio: R$ 230 bilhões
Junho: R$ 234,6 bilhões
Julho: R$ 254,2 bilhões
Agosto: R$ 208,7 bilhões
Setembro: R$ 216,7 bilhões
Outubro: R$ 261,9 bilhões
Novembro: R$ 226,7 bilhões
Dezembro: R$ 292,7 bilhões
Medidas governamentais e repercussões políticas
Em 22 de maio de 2025, o governo anunciou um bloqueio orçamentário de R$ 31,3 bilhões e elevou as alíquotas do IOF para operações de crédito, câmbio e seguros por meio de decreto. Essa medida causou forte reação do setor produtivo, mercado financeiro e Congresso Nacional, que pressionaram por alternativas ao aumento do imposto.
Nos dias seguintes, houve recuo parcial do governo sobre o decreto, negociações entre o Executivo e Legislativo, e a apresentação de propostas alternativas, inclusive por meio de medida provisória, para compensar o impacto do aumento do IOF.
O impasse levou o Congresso a aprovar, em 25 de junho, um projeto que anulou o decreto presidencial que aumentava o IOF, o que provocou questionamentos jurídicos por parte do governo e a judicialização do tema no Supremo Tribunal Federal (STF).
Decisões judiciais e mediação no STF
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspendeu tanto o decreto presidencial quanto o decreto legislativo que anulava os efeitos do aumento do IOF, convocando uma audiência de conciliação para tentar resolver o conflito entre os Poderes Executivo e Legislativo.
Em 15 de julho, a mediação não resultou em acordo, mas o ministro manteve a eficácia do decreto do governo com exceção de dispositivos relacionados a operações de risco sacado, uma modalidade de crédito bancário.
Impactos e perspectivas
O ano de 2025 evidenciou como a arrecadação do IOF pode ser uma ferramenta importante para a política fiscal do governo, mas também alvo de intensos debates políticos e judiciais, dada sua relevância para o setor financeiro e a economia em geral.
A trajetória da arrecadação e dos desdobramentos do IOF em 2025 oferece um panorama dos desafios enfrentados na busca por equilíbrio das contas públicas e controle do impacto tributário sobre a atividade econômica brasileira.

Aplicativo da Receita Federal em funcionamento. Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
