Contorno de mão vermelho, datado de 67,8 mil anos, redefine história da arte pré-histórica
Pesquisadores descobriram o estêncil mais antigo do mundo, um desenho vermelho de mão em caverna na Indonésia com 67,8 mil anos.
Arte rupestre mais antiga do mundo descoberta na Indonésia
Em uma expedição realizada nas ilhas indonésias, pesquisadores desenterraram um estêncil — pintura que utiliza o contorno de uma mão como forma — com idade estimada de pelo menos 67,8 mil anos. Essa descoberta apresenta a arte rupestre mais antiga já encontrada até hoje no planeta, superando registros anteriores.
Contexto da descoberta e equipe envolvida
A pesquisa foi liderada pelo arqueólogo e geoquímico Maxime Aubert, da Universidade Griffith, Austrália, e envolveu uma equipe de mais de 30 cientistas. Os resultados do estudo foram publicados na revista Nature em 21 de janeiro de 2026. A análise concentrou-se em 44 sítios arqueológicos no sudeste da ilha de Sulawesi, onde foram datadas com precisão 11 amostras de arte rupestre, incluindo sete estênceis de mãos.
Técnica e características das pinturas encontradas
Embora a técnica exata utilizada para a criação do estêncil não tenha sido determinada, sabe-se que o pigmento utilizado era vermelho. Além do contorno de mão, foram encontrados desenhos que retratam figuras híbridas — seres metade humanos e metade animais — e cenas de caça, como a captura de javalis. Essas pinturas fornecem um panorama rico da expressão simbólica dos habitantes antigos da região.
Importância para a compreensão da pré-história humana
O estêncil mais antigo foi localizado na caverna de Metanduno, na ilha de Muna. Seu contexto arqueológico também revelou gravuras de animais, como porcos, cavalos e veados, datados entre 3,5 mil e 4 mil anos, o que demonstra que o local foi utilizado por diferentes populações ao longo do tempo. A datação do estêncil ultrapassa em 1,1 mil anos a anterior arte rupestre mais antiga, encontrada na Espanha.
Implicações para a história da colonização do continente Sahul
A descoberta traz novas evidências para o debate sobre quando os primeiros humanos habitaram Sahul — o antigo continente que compreende partes da Austrália, Papua Nova Guiné e ilhas da Indonésia. Enquanto alguns especialistas defendem uma ocupação de aproximadamente 50 mil anos, os pesquisadores desse estudo sugerem que tenha ocorrido há pelo menos 65 mil anos, baseando-se nos dados da arte rupestre.
Perspectivas futuras e questões em aberto
Além de estabelecer um novo marco temporal para a arte pré-histórica, a descoberta abre caminho para investigações sobre a autoria dessas pinturas. Uma das hipóteses em análise é se a arte foi produzida por Homo sapiens ou por denisovanos, um grupo humano ancestral ainda pouco compreendido. Estudos subsequentes poderão esclarecer essas questões e aprofundar o conhecimento sobre a origem da expressão artística humana.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Divulgação/Universidade Griffith
