Os registros de processos na Justiça Eleitoral relacionados à Violência Política de gênero atingiram um patamar recorde em 2026, com a autuação de 149 casos por assédio a mulheres entre janeiro e agosto. Este número, divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), representa um aumento de 380% em comparação com 2024, que teve apenas 31 processos no mesmo período.
Este é o maior número já registrado desde o início da série histórica, que começou em 2019. Naquele ano, apenas dois casos foram contabilizados. Os tipos de violência são enquadrados no artigo 326-B do Código Eleitoral, que abrange ações como assédio, humilhação, perseguição e ameaças direcionadas a candidatas ou detentoras de mandatos, considerando a discriminação pela condição de mulher.
A comparação com as eleições anteriores revela um crescimento ainda mais acentuado. Nos primeiros oito meses de 2022, foram registrados apenas seis casos de Violência Política contra mulheres, e o total ao final daquele ano ficou em 15. Em 2023, o número subiu para 13, enquanto em 2025 foram 68 casos, culminando nos 149 de 2026.
Até o dia 21 de setembro de 2026, contabiliza-se um total de 177 casos registrados, superando a soma dos anos anteriores. A ministra do TSE, Estela Aranha, destacou que a Violência Política contribui para afastar mulheres do espaço político, afirmando que a intimidação e o constrangimento levam muitas a se questionar sua presença na política.
Na última terça-feira (22), o TSE promoveu o evento Violência Política TEM Gênero, focando na violência contra mulheres no âmbito político, especialmente no ambiente digital. Durante o evento, foram apresentadas diversas medidas para enfrentar e prevenir esse tipo de crime, incluindo o lançamento de um painel nacional para o monitoramento da Violência Política de gênero.
A Justiça Eleitoral também anunciou a capacitação de tribunais e zonas eleitorais para lidar com essas ocorrências, além de fortalecer canais de denúncia e intensificar o combate à violência digital, como ataques coordenados e disseminação de fake news. As iniciativas visam aumentar a conscientização e facilitar que as vítimas identifiquem e denunciem casos de Violência Política.