O Brasil está se preparando para um aumento significativo nas exportações de etanol durante a safra 2026/27, mesmo diante de um início de ciclo menos robusto no mercado externo. A previsão é que os embarques atinjam 1,535 bilhão de litros, representando um crescimento de cerca de 20% em relação aos 1,28 bilhão de litros exportados na safra anterior. Essa projeção foi divulgada em um levantamento da Argus.
Esse crescimento ocorre em um contexto de produção recorde de etanol no país, com um destaque especial para o avanço do etanol derivado do milho. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção atingirá 40,68 bilhões de litros na safra 2026/27, o que configuraria o maior volume registrado nos últimos 21 anos.
Maria Ligia Barros, responsável pela precificação de etanol da Argus, explica que o aumento na produção de milho tem alterado a dinâmica do mercado brasileiro, aumentando a necessidade de buscar novos destinos para o etanol. Ela reforça que a safra de 2026/27 deverá ser marcada por essa expectativa de produção recorde, impulsionada pela expansão da produção a partir do milho.
Nos últimos dez anos, o etanol de milho conquistou um espaço crescente no Brasil e se tornou um componente importante para o aumento da oferta nacional. A produção da safra atual deve ser beneficiada pela recuperação dos canaviais, que foram afetados pela seca em 2024, além de um menor direcionamento da cana para a fabricação de açúcar.
Embora as perspectivas sejam otimistas, o início das exportações na safra 2026/27 apresentou um ritmo mais lento. Entre abril e junho, foram exportados 168,7 milhões de litros, seguidos por mais 178,5 milhões de litros em julho. Para que a meta de 1,535 bilhão de litros seja alcançada, ainda será necessário embarcar cerca de 1,18 bilhão de litros entre agosto de 2026 e março de 2027.
A janela de competitividade que favoreceu o etanol brasileiro no mercado internacional é limitada. Oportunidades surgiram em meados de julho, permitindo que o etanol brasileiro se tornasse mais competitivo do que o dos Estados Unidos em determinados mercados. Essa competitividade é essencial para expandir as opções de exportação, incluindo novos usos do etanol, como em aviação e transporte marítimo.