Entre 1º de janeiro e 17 de abril de 2026, a Alfândega da Receita Federal do Brasil (RFB) em Foz do Iguaçu, localizada na fronteira com o Paraguai, registrou a apreensão de mais de 47 mil unidades de medicamentos para emagrecer. Esse aumento no número de apreensões levanta preocupações sobre o crescimento do contrabando dessas substâncias, que muitas vezes são associadas a riscos à saúde e são comercializadas de forma irregular no país.
Os dados divulgados recentemente mostram que as apreensões estão concentradas na região da Ponte da Amizade, que é a principal via de acesso entre Brasil e Paraguai e um dos pontos mais movimentados da fronteira. A Receita Federal informou que o intenso fluxo de pessoas e mercadorias nessa área tem sido explorado por redes que atuam no transporte ilegal de medicamentos, dificultando a fiscalização.
Um caso emblemático ocorreu na sexta-feira (17), quando um brasileiro foi flagrado transportando quase 400 ampolas de tirzepatida e drostanolona. A carga estava escondida na garupa de um mototaxista paraguaio, uma tática comum utilizada para evitar a fiscalização. Além disso, outras apreensões realizadas durante o período revelaram a criatividade dos contrabandistas. Em uma dessas ocorrências, fiscais descobriram canetas injetáveis ocultas em fundos falsos de mochilas.
Em outra situação, comprimidos para emagrecimento foram encontrados dentro de embalagens de eletrônicos, misturados a produtos regulares para dificultar a identificação. Também foram realizadas apreensões em veículos particulares, onde os medicamentos estavam ocultos em compartimentos improvisados, como painéis e estofamentos. Em ônibus de turismo, fiscais identificaram passageiros transportando pequenas quantidades individuais que, somadas, configuravam uma tentativa de importação irregular em maior escala.
A Receita Federal destacou que muitos dos produtos apreendidos entram no Brasil sem o devido registro na Anvisa ou sem controle adequado de armazenamento, o que pode comprometer tanto a eficácia quanto a segurança desses medicamentos. A utilização indiscriminada dessas substâncias tem gerado preocupações, impulsionada pela busca rápida por perda de peso.
A intensificação das fiscalizações é parte de uma estratégia para combater o contrabando e proteger a saúde pública. A Receita Federal anunciou que as operações continuarão ao longo do ano, com foco nas rotas e métodos utilizados pelas redes ilegais. O aumento nas apreensões não apenas reflete um rigor maior na fiscalização, mas também a crescente demanda por medicamentos para emagrecimento, um mercado que pode trazer sérias consequências para os consumidores desavisados quando alimentado pela ilegalidade.