Abordagem vai além do atendimento automatizado e passa a sustentar triagem, orientação e continuidade do cuidado
A criação de agentes de IA voltados às linhas de cuidado tem ampliado o papel da automação na saúde, deixando de ser apenas atendimento para atuar como apoio direto ao cuidado. Desenvolvida pela StaryaAI, a proposta busca integrar tecnologia aos fluxos clínicos para ganhar eficiência sem perder empatia. A ideia é substituir automações rígidas por agentes especializados, capazes de entender contexto, conversar em linguagem natural e executar tarefas de ponta a ponta, aprendendo com dados e analytics. A empresa defende que o erro mais comum do mercado é automatizar sem propósito ou apenas digitalizar processos já ineficientes.
Segundo Vinicius Reis, CTO e fundador da StaryaAI, o maior valor da automação humanizada aparece hoje em etapas de alto volume e repetição da jornada do paciente. “Triagem e orientação clínica, linhas de cuidado, agendamento com preparo de exames, suporte pós-consulta e orquestração de fluxos complexos são pontos onde contexto, consistência e velocidade geram impacto real”, destaca o especialista. A automação passa a atuar como um braço do cuidado ao seguir protocolos, organizar informações e identificar sinais de risco, encaminhando casos críticos para profissionais de saúde. “A escuta humana fica preservada para situações de maior complexidade e sensibilidade, enquanto a IA sustenta a rotina e garante continuidade”, ressalta Reis.
Outro efeito direto é a redução de fricções comuns no sistema de saúde. Agentes inteligentes assumem o chamado “nível zero” de demandas, diminuindo tarefas burocráticas, falhas de comunicação e atrasos. Isso inclui triagem protocolar, orientação operacional, resolução de demandas simples após a consulta e coordenação entre etapas do cuidado. A redução do absenteísmo também tem se mostrado um dos ganhos mais claros. A combinação de modelos preditivos com lembretes personalizados, confirmação facilitada e possibilidade de remarcação em canais conversacionais, como WhatsApp, aumenta a adesão a consultas e tratamentos. Coaches digitais e check-ins frequentes ajudam a evitar abandono terapêutico e permitem intervenção humana quando necessário.
Em jornadas sensíveis, como saúde mental ou doenças crônicas, o equilíbrio entre eficiência e empatia vem do desenho do fluxo. A linguagem é personalizada conforme histórico e comportamento, enquanto pontos críticos contam com escalonamento para atendimento humano. “A eficiência remove burocracia; a empatia está na forma como a tecnologia se comunica e respeita o tempo do paciente”, diz o CTO. Indicadores como resolutividade automática próxima de 80%, satisfação de pacientes acima de 90%, NPS elevado entre equipes clínicas e evidências de detecção precoce de risco mostram quando a automação realmente apoia o cuidado. “Métricas de jornada, como aumento de conversão em agendamentos digitais e redução de custo operacional, complementam essa avaliação”, complementa o especialista.
A automação humanizada tende a ser mais decisiva em linhas de cuidado com alta demanda e necessidade de acompanhamento contínuo, como triagem clínica, gestantes e orientações recorrentes. A resistência ainda aparece em contextos que exigem supervisão humana constante, o que reforça a importância de governança e desenho cuidadoso dos fluxos. “Para que a IA seja vista como aliada, e não como custo ou risco, as organizações precisam tratá-la como infraestrutura. Isso envolve integrar a tecnologia aos processos reais, estabelecer governança, políticas internas e KPIs claros, além de um alinhamento cultural da liderança”, completa Reis. A expectativa dentro da StaryaAI é que, até o final de 2026, a automação humanizada esteja consolidada como parte estrutural das operações de saúde, sustentando cuidado contínuo, redução de custos e melhor experiência para pacientes e equipes.