A multiômica, que combina diferentes elementos moleculares como DNA, RNA, proteínas e metabolismo, está promovendo avanços significativos na precisão do diagnóstico e tratamento do câncer. Essa metodologia inovadora permite uma compreensão mais aprofundada das alterações genéticas, além de como essas modificações se organizam e interagem com o organismo, influenciando as respostas às terapias.
O conceito de multiômica se baseia no sufixo “-ômica”, que é utilizado nas ciências biológicas para designar o estudo de conjuntos de moléculas que estão interligadas ao funcionamento celular. Na área da oncologia, essa abordagem vai além da análise genética isolada; ela considera aspectos funcionais e ambientais que impactam a evolução dos tumores.
Fernando Moura, oncologista e gerente médico de Medicina de Precisão do Einstein Hospital Israelita, destaca que as análises multiômicas possibilitam uma maior compreensão não apenas das células cancerígenas, mas também de células inflamatórias, fibroblastos e células normais que interagem com o tumor. Com essa abordagem, é viável aprimorar o entendimento da biologia tumoral, além de proporcionar diagnósticos mais precisos e prever resultados de tratamentos direcionados, como terapias moleculares e imunoterapia.
Entre as diversas áreas que a multiômica abrange, a genômica é geralmente o ponto de partida. Essa disciplina identifica alterações no DNA que estão ligadas ao desenvolvimento de tumores, incluindo mutações e rearranjos. A transcriptômica, por sua vez, analisa o RNA, que atua como intermediário entre as instruções do DNA e a produção de proteínas, permitindo entender quais genes estão ativos em um dado momento.
A proteômica se concentra nas proteínas, que desempenham funções celulares essenciais. Já a metabolômica e a lipidômica investigam como os tumores utilizam energia, nutrientes e lipídios para seu crescimento e interação com o organismo. Por fim, a epigenômica examina os mecanismos que podem ativar ou desativar genes sem modificações no DNA.
Malta, outra especialista na área, enfatiza a necessidade de aumentar a representatividade das amostras brasileiras nas análises. Ela observa que o Brasil possui um perfil genético distinto, resultante de sua miscigenação, e que ainda não se compreende completamente seu impacto em relação ao que foi aprendido nas últimas décadas sobre tumores e outras patologias.