Banco Central intensifica combate a contas-bolsão

Banco Central

Medidas visam coibir práticas financeiras irregulares

O Banco Central anunciou medidas rigorosas para encerrar contas-bolsão, usadas em fraudes financeiras. A nova regra entra em vigor em dezembro de 2025.

O Banco Central apertou o cerco contra práticas financeiras suspeitas e determinou o encerramento compulsório de contas irregulares, conhecidas como contas-bolsão — um modelo bastante usado por fintechs e, em alguns casos, por organizações criminosas para lavar dinheiro. A nova resolução, publicada pelo Banco Central, exige que os bancos adotem critérios claros para identificar esse tipo de conta, usando dados públicos e privados. A regra vale a partir de 1º de dezembro de 2025.

Essas contas funcionam como um cofre coletivo: são abertas por fintechs em bancos tradicionais, mas operam em nome de diversos clientes. Na prática, dificultam o rastreamento da origem do dinheiro. Um caso emblemático foi descoberto pela Receita Federal: uma única fintech movimentou R$ 46 bilhões em cinco anos, suspeita de ligação com o crime organizado.

A diretora do BC, Izabela Correa, foi clara: não se trata de demonizar as contas-bolsão, mas sim de combater o uso indevido delas, que desvirtua o sistema financeiro. Já o diretor Ailton de Aquino reforçou que há usos legítimos — como em marketplaces e instituições de pagamento — mas que a venda de serviços que blindam clientes é inaceitável.

Mudanças no capital mínimo

E não para por aí. O Banco Central e o Conselho Monetário Nacional também anunciaram uma mudança importante: um novo modelo de cálculo para o capital mínimo exigido de bancos e fintechs. A ideia é simples — quem quiser operar no país, precisa ter estrutura para enfrentar riscos. A exigência agora considera o tipo de atividade, e não apenas a classificação da instituição.

Esse movimento mira reforçar a resiliência do sistema e prevenir fraudes em larga escala. O capital inicial mínimo para corretoras passou de R$ 245 mil para R$ 8 milhões. A transição será gradual, com prazos que vão até o fim de 2027.

Segundo o BC, a medida não é um obstáculo à inovação, mas uma resposta direta às vulnerabilidades já identificadas no sistema financeiro. A tecnologia, portanto, é bem-vinda, mas dentro das regras do jogo.

Fonte: agenciavoz.com.br

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