Banco Central reduz Selic, mas deixa incertezas sobre futuros cortes

O Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (17), reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, estabelecendo a taxa em 14,25% ao ano. Essa decisão estava em linha com as expectativas do mercado, que já previa essa movimentação. Entretanto, o comunicado emitido pelo BC trouxe um tom de cautela, deixando em aberto os próximos passos da política monetária, ao mesmo tempo em que destacou a importância da política fiscal no contexto atual.

Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, comentou que a autoridade monetária não apresentou uma sinalização clara sobre as futuras decisões, enfatizando que isso dependerá da evolução dos indicadores econômicos nos próximos meses. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) está agendada para os dias 4 e 5 de agosto, e o intervalo até essa data pode aumentar a incerteza sobre o cenário econômico.

A especialista também mencionou que fatores externos, como o conflito entre Estados Unidos e Irã, podem impactar as expectativas de inflação tanto global quanto doméstica. "A mensagem principal é que temos um BC dependente dos dados para tomar a decisão que fará em agosto", afirmou Quartaroli.

Carlos Lopes, economista do Banco BV, ressaltou que, apesar de a redução de 0,25 ponto percentual ter sido amplamente esperada, a decisão foi tomada em um ambiente econômico desafiador. Lopes destacou que o BC reconheceu um cenário externo mais incerto, além de uma atividade econômica interna resiliente e expectativas inflacionárias ainda desancoradas.

Um aspecto importante do comunicado foi a extensão do horizonte relevante da política monetária, que pela primeira vez inclui projeções até o primeiro trimestre de 2028. Isso indica que, nas condições atuais, a inflação deve convergir para a meta nesse período. Lopes ainda comentou que essa alteração ajudou a justificar o corte de juros, mesmo com o balanço de riscos se deteriorando. Ele acredita que a próxima decisão está em aberto, mas que o comunicado sugere uma preferência por continuar com a redução da Selic.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, afirmou que o corte confirma a estratégia de flexibilização gradual do Copom, favorecida pelo recente alívio no cenário externo, especialmente com a queda dos preços do petróleo. No entanto, Lima advertiu que o espaço para novos cortes é limitado devido à inflação ainda acima da meta e às incertezas fiscais existentes.

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