Banco do Brasil investe mais de R$ 5 bilhões para recompor FGC

Medida visa garantir a solidez do sistema financeiro após caso do Banco Master.

Banco do Brasil anuncia desembolso significativo para reforçar o FGC, visando a solidez do sistema financeiro.

O Banco do Brasil anunciou que irá desembolsar mais de R$ 5 bilhões para a recomposição do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) após a crise provocada pelo Banco Master. O diretor financeiro da instituição estatal, Geovanne Tobias, mencionou que a decisão de antecipar cinco anos de contribuição ao FGC é uma medida necessária para garantir a solidez do sistema financeiro, especialmente considerando os desafios enfrentados por algumas instituições financeiras recentes.

O impacto da antecipação no sistema financeiro

A medida de antecipação, que somará aproximadamente R$ 5 bilhões, não é apenas um custo imediato. Tobias destacou que essa ação terá um efeito patrimonial significativo, reduzindo os ganhos potenciais que o banco poderia ter obtido com o uso desse montante em outros investimentos, como os rendimentos da Selic. Apesar do sacrifício financeiro, o CFO enfatizou a importância da recapitalização do FGC, afirmando: “Estamos abrindo mão de receita, é fato. E o regulador está ciente disso.”

O contexto atual mostra que o FGC precisa de um reforço substancial devido à liquidação do Banco Master, que deverá consumir cerca de R$ 40 bilhões do fundo. Com a liquidação do Will Bank, essa estimativa pode aumentar em até R$ 6,3 bilhões. Antes dessas crises, em novembro de 2025, o FGC possuía R$ 125 bilhões acumulados, mas após esses eventos, restariam cerca de R$ 78 bilhões disponíveis para novas coberturas.

Discussões sobre a reforma do FGC

Além do investimento do Banco do Brasil, existe uma discussão em andamento entre as instituições financeiras e o Banco Central sobre a liberação de parte dos depósitos compulsórios. Esses depósitos são uma reserva que os bancos devem manter no BC para situações de emergência. Durante a pandemia, uma parte desses recursos foi liberada para estimular a economia. Tobias, ao ser questionado sobre a liberação de recursos, afirmou que essa decisão é de competência exclusiva do Banco Central.

As discussões sobre possíveis mudanças nas regras do FGC ganharam força após a liquidação do Master. Principais bancos, que representam a maior parte do financiamento do fundo, estão propondo que as regras de contribuição sejam alteradas para aumentar a carga sobre bancos mais arriscados, que dependem de instrumentos garantidos, como Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). Uma atualização dessas regras está prevista para o segundo semestre de 2026.

O desempenho recente do Banco do Brasil

O impacto da inadimplência, especialmente no setor do agronegócio, resultou em uma significativa queda de 40% no lucro do Banco do Brasil no quarto trimestre de 2025, que atingiu R$ 5,7 bilhões. Em comparação ao trimestre anterior, o resultado teve um aumento de 51,7%. No ano de 2025, o lucro líquido ajustado do banco somou R$ 20,7 bilhões, uma redução de 45,4% em relação ao ano anterior.

A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, ressaltou que o atraso nos pagamentos dos clientes do agronegócio teve um aumento impressionante de 500% em relação à média histórica. Apesar disso, ela reafirmou o compromisso do banco com o setor, indicando que 94% da carteira agro do Banco do Brasil está adimplente, gerando resultados positivos.

Para lidar com a inadimplência, o banco está priorizando renegociações que possuem garantias reais, uma estratégia que oferece uma recuperação mais rápida dos recursos. As renegociações não são automáticas, sendo avaliadas com base na viabilidade de cada cliente, e as garantias têm sido executadas nos casos em que os clientes não demonstram capacidade de pagamento.

Considerações finais

Diante do cenário atual, o Banco do Brasil está se posicionando para enfrentar os desafios impostos pela situação econômica e a necessidade de garantir a solidez do sistema financeiro. A decisão de desembolsar mais de R$ 5 bilhões para reforçar o FGC é um passo importante para a recuperação e estabilidade do setor, refletindo a responsabilidade da instituição em proteger os depositantes e manter a confiança no sistema bancário.

Fonte: ojornalismo.com.br

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