Entenda como o avanço no uso de recursos biológicos e de alta tecnologia aumenta a produção no campo, inclusive de maneira mais sustentável
Com aplicações importantes na saúde, na produção de alimentos e na produção energética, a biotecnologia tem se tornado cada vez mais um motor importante para a indústria nacional – por consequência, para as pessoas e também para a economia como um todo.
Pautada nas ciências biológicas, utiliza-se de recursos biológicos como seres e organismos vivos para produzir ou modificar produtos, segundo definição que consta na Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica.
Quais os benefícios da biotecnologia?
No escopo da biotecnologia, vários conhecimentos são utilizados, principalmente aqueles dos ramos de microbiologia, biologia molecular e engenharias química e ambiental. Os produtos destes conhecimentos são medicamentos mais avançados, maior produtividade agrícola e fontes de energia mais sustentáveis, como os biocombustíveis.
Na esteira dos biocombustíveis, o Brasil é um dos líderes na sua produção, muito por conta do etanol e do biodiesel. Isso coloca o país em uma posição importante no cenário da biotecnologia. Quanto à sustentabilidade, o uso de bagaço de cana-de-açúcar para fabricação de bioplástico é um dos exemplos mais consolidados.
A grande biodiversidade é outro ponto que aumenta ainda mais o potencial do Brasil nessa área da ciência e da tecnologia e, claro, na economia e no mercado de trabalho. Há até mesmo um termo que define a economia verde: a bioeconomia. Trata-se de inovação científica e fomento à pesquisa alinhados com visão de mercado.
Seu impacto na economia e na geração de empregos
Estima-se que a área de biossoluções, da qual o uso de tecnologias com microrganismos, enzimas e proteínas faz parte, movimentará cerca de R$ 230 bilhoes e gerará 276 mil empregos até 2035. O estudo foi desenvolvido pela Amsterdam Data Collective, com apoio da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI).
Somente para o agronegócio a biotecnologia rendeu R$ 143,5 bilhões de receita nos últimos 25 anos, segundo dados da CropLife Brasil e da Agroconsult. As tendências para o agronegócio são várias, aliás. Alternativas mais sustentáveis aos pesticidas são uma delas: significa comida mais saudável e um mercado – o de bioinsumos – que movimenta R$ 5 bilhões ao ano.
Benefícios para produtividade e sustentabilidade
Alternativas ainda mais naturais, como o uso de enzimas e de microrganismos para elevar a produção do solo, têm sido de grande valia para a produção de soja no Brasil, por exemplo. De iniciativa da Embrapa, esse tipo de fertilização faz com que se dependa menos de fertilizantes químicos importados e também com que se polua menos.
O controle de pragas de maneira sustentável também é uma notícia boa para a economia. Por meio de plantas geneticamente modificadas, mais resistentes a pragas, insetos e intempéries, o campo deixa de perder safras e mais safras de produção. É algo bom para o produtor rural, para a mesa do brasileiro e para os países que importam nossa matéria-prima.
Logo, a biotecnologia encontra no Brasil um campo fertil para seu desenvolvimento. O investimento em pesquisa, passando pela capacitação de mão de obra na área de ciências biológicas, é a chave para o crescimento desse ramo e para o ganho de toda a economia e a sociedade.