Bank of America diverge do mercado e aponta início de flexibilização monetária com corte da Selic para 14,50%
Bank of America aposta em corte de 0,50 ponto na Selic já nesta semana, indicando início do ciclo de flexibilização da taxa de juros pelo Copom.
O Bank of America (BofA) surpreende o mercado financeiro ao projetar um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic já na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana, reduzindo-a para 14,50%. Essa perspectiva indica o início de um ciclo de flexibilização monetária no Brasil, contrastando com a expectativa predominante entre os analistas que apostam na manutenção da taxa.
Divergência em relação ao consenso do mercado
Enquanto o consenso aponta para estabilidade na taxa Selic na reunião marcada para a quarta-feira, 28 de janeiro, a equipe do BofA, formada por David Beker, Natacha Perez e Gustavo Mendes, avalia que há espaço para uma recalibração cautelosa da política monetária. Segundo eles, os juros permanecem em níveis restritivos não vistos nas últimas duas décadas, mesmo com a inflação mostrando sinais de desaceleração.
Indicadores recentes da inflação
Dados recentes do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) reforçam essa visão. O índice desacelerou de 4,5% em meados de novembro para 4,26% em dezembro. No entanto, a inflação de serviços ainda apresenta resistência, com os serviços essenciais registrando uma taxa anualizada de 5%. Esses números indicam que o processo de desaceleração inflacionária está em curso, mas ainda com desafios a enfrentar.
Horizonte da política monetária e projeções inflacionárias
Um aspecto técnico relevante para a reunião é a expansão do horizonte de projeção da política monetária do segundo para o terceiro trimestre de 2027. Essa mudança favorece uma revisão mais moderada nas expectativas de inflação. Em dezembro, o Banco Central estimava uma inflação de 3,2% para o segundo trimestre de 2027. Com o novo horizonte, o BofA projeta uma inflação de 3,1%, resultado de fatores como câmbio mais estável, atividade econômica mais fraca e melhora gradual nas expectativas inflacionárias.
Comunicação cuidadosa e ritmo moderado de flexibilização
Os economistas do BofA enfatizam que, apesar de preverem o corte, o Copom deve adotar uma comunicação cautelosa, condicionando futuras decisões aos dados econômicos. Não há indicação de que a flexibilização da política monetária será acelerada. A expectativa é que o processo de redução da Selic ocorra de forma moderada ao longo de 2026, com a taxa chegando a 11,25% no final do ano, acompanhando a convergência da inflação para dentro da meta estabelecida pelo Banco Central.
Essa previsão do Bank of America indica uma possível mudança de postura do Copom diante do cenário econômico, o que pode impactar decisões de agentes financeiros, investidores e empresas, além de influenciar o comportamento da economia brasileira nos próximos meses.
Fonte: www.moneytimes.com.br