Bolsonaro no hospital: idas sem grandes mobilizações populares

Hugo Barreto/Metrópoles

Ex-presidente passou por exames após queda, mas apoio popular tem sido fraco

Idas de Bolsonaro ao hospital após queda não mobilizaram grandes atos de apoio.

Na última semana, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) fez mais uma visita ao Hospital DF Star, em Brasília, após sofrer uma queda em sua cela na Superintendência da Polícia Federal (PF). Essa foi a quinta vez desde agosto de 2025 que ele deixou a prisão para tratamento médico, mas, surpreendentemente, não houve grandes mobilizações de apoiadores em frente ao hospital.

Histórico de idas ao hospital

Desde que foi preso em 25 de novembro de 2025, por liderar uma trama golpista, Bolsonaro passou a ficar em prisão domiciliar e, posteriormente, foi condenado a cumprir 27 anos e 3 meses de pena. Sua primeira saída do local para consultas médicas foi em agosto daquele ano e desde então, suas visitas têm sido constantes.

  • 18 de agosto de 2025: Primeira ida ao hospital após prisão domiciliar.
  • 14 de setembro de 2025: Procedimento dermatológico para remoção de lesões.
  • 16 de setembro de 2025: Levado ao hospital devido a uma queda de pressão.
  • 24 de dezembro de 2025: Cirurgia de herniorrafia inguinal bilateral e outros procedimentos.
  • 7 de janeiro de 2026: Exames após queda na cela que resultou em traumatismo craniano leve.

Mobilização dos apoiadores

Apesar da expectativa, as manifestações em frente ao hospital têm sido mínimas. Na última visita, apenas um grupo de cerca de 30 pessoas se reuniu para dar apoio ao ex-presidente, realizando orações e segurando bandeiras. Após a entrada de Bolsonaro no hospital, a maioria rapidamente se dispersou, evidenciando uma redução significativa no número de manifestantes em comparação a episódios anteriores.

O cientista político Antonio Lavareda analisa que, embora Bolsonaro tenha criado uma forte rede de comunicação para engajar seus apoiadores, a frustração com as manifestações que não resultaram em efeitos políticos concretos tem diminuído a disposição das pessoas para se mobilizarem. Segundo ele, a crença de que as manifestações podem influenciar decisões institucionais agora é questionada entre os apoiadores do ex-presidente.

Efeitos das manifestações de 8 de janeiro

Lavareda também relaciona a queda nas manifestações à percepção de risco alterada desde os eventos de 8 de janeiro de 2023. Ele afirma que, após esses atos, a possibilidade de criminalização das manifestações se tornou uma preocupação maior entre os manifestantes. “As pessoas estão cientes de que a participação em atos pode ter consequências legais, especialmente se forem identificadas”, diz. Essa nova realidade gera um efeito pedagógico, onde muitos preferem se resguardar ao invés de participar de atos que possam resultar em sanções.

Conclusão

A situação atual de Jair Bolsonaro e suas interações com o público evidenciam uma mudança na dinâmica de apoio popular. Com idas ao hospital que antes eram eventos de grande mobilização, agora se tornam apenas episódios pontuais com pouco engajamento. A base de apoio do ex-presidente parece estar repensando suas estratégias e prioridades, focando mais na preservação de sua influência simbólica do que em manifestações que possam acarretar riscos altos sem retorno imediato.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Hugo Barreto/Metrópoles

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