BP sinaliza até US$ 5 bi em baixa contábil com energia de baixo carbono

A empresa busca aumentar retornos redirecionando investimentos para petróleo e gás.

BP espera registrar até US$ 5 bilhões em baixas contábeis, redirecionando investimentos para petróleo e gás.

A gigante de petróleo BP está se preparando para registrar baixas contábeis que podem variar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões no quarto trimestre. Esse movimento é parte de uma estratégia mais ampla de redirecionamento de investimentos, focando em aumentar os retornos provenientes de suas operações de petróleo e gás sob a nova liderança do presidente do conselho, Albert Manifold.

Mudança Estratégica na BP

A BP tem experimentado uma significativa transformação em sua abordagem de negócios, especialmente após uma revisão de suas operações de energia de baixo carbono. Há cerca de um ano, a companhia decidiu reduzir drasticamente seu orçamento para iniciativas de transição energética, cortando os gastos anuais de US$ 7 bilhões para um máximo de US$ 2 bilhões. Essa mudança reflete uma estratégia de retorno às raízes da empresa, que historicamente se concentrou em petróleo e gás.

Além disso, a nova CEO, Meg O’Neill, que assumirá em abril, substituirá Carol Howle, que ocupou o cargo interinamente. A saída abrupta de Murray Auchincloss no mês passado ressaltou a necessidade de uma nova direção na busca pela melhoria da lucratividade e do desempenho das ações da BP, que têm ficado atrás de concorrentes como a Shell nos últimos anos.

Desafios e Implicações Financeiras

A BP também enfrenta um ambiente desafiador, onde a comercialização mais fraca de petróleo e a queda nos preços estão pressionando seus lucros. A empresa estima que os preços mais baixos do petróleo poderão reduzir os ganhos trimestrais em até US$ 400 milhões, enquanto os preços do gás podem impactar outros US$ 300 milhões. Com os preços de referência do gás na Europa caindo 9% e o preço do petróleo bruto Brent em média a US$ 63,73 por barril, os temores de excesso de oferta estão se tornando uma preocupação crescente no mercado.

A BP anunciou ainda que sua joint venture, Jera Nex BP, não foi bem-sucedida em um recente leilão de contratos de energia eólica offshore no Reino Unido, o que pode limitar suas oportunidades de crescimento nesse setor. A empresa também se prepara para vender sua participação no grupo de energia solar Lightsource bp e abandonou planos de construção de uma usina de biocombustíveis em Amsterdã.

O Futuro da BP

O redirecionamento dos investimentos para petróleo e gás poderá trazer resultados a curto prazo, mas levanta questões sobre a sustentabilidade a longo prazo da estratégia da BP. Com a crescente pressão para a transição energética e a redução das emissões de carbono, a empresa precisará equilibrar a busca por lucros imediatos com a necessidade de se adaptar a um futuro em que as energias renováveis desempenharão um papel cada vez mais crucial.

A abordagem agressiva da BP em cortar custos e redirecionar investimentos pode levar a um aumento na lucratividade a curto prazo, mas a companhia deve estar atenta às mudanças nas demandas do mercado e às expectativas dos investidores em relação à sustentabilidade ambiental. À medida que a transição energética avança, a BP terá que navegar cuidadosamente entre suas operações tradicionais e as novas exigências do mercado global.

Conclusão

A BP está em um momento de transformação crítico, onde decisões estratégicas tomadas agora podem impactar profundamente seu futuro. Com a expectativa de baixas contábeis substanciais e uma mudança de foco em direção ao petróleo e gás, a empresa deve encontrar um equilíbrio entre a lucratividade imediata e a adaptação a um futuro energético sustentável.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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