Brasil investe em tecnologia de vigilância para a Amazônia Azul

O governo federal anunciou um investimento significativo para o desenvolvimento de um sistema de inteligência artificial que visa aumentar a vigilância sobre a Amazônia Azul, área marítima recentemente ampliada em 360 mil km². O projeto, denominado MANTA, será conduzido pela IACIT, uma empresa de defesa localizada em São José dos Campos, e contará com R$ 49 milhões provenientes da Finep. Além desse valor, o consórcio envolvido na iniciativa comprometeu-se a aportar R$ 12 milhões adicionais.

A tecnologia proposta será essencial para a vigilância de longo alcance da plataforma continental brasileira, abrangendo regiões que se estendem além das 200 milhas náuticas. O MANTA integrará sensoriamento, processamento de sinais e inteligência artificial, permitindo a detecção, acompanhamento e identificação de alvos em ambientes marítimos complexos.

O investimento ocorre em um contexto em que o Brasil busca transformar a expansão de sua área marítima, reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para 2025, em uma capacidade prática de fiscalização. A nova área, que equivale aproximadamente ao território da Alemanha, aumenta o espaço em que o Brasil possui direitos sobre os recursos naturais do subsolo marinho.

A Amazônia Azul é considerada de extrema importância pela Marinha, pois concentra rotas comerciais, reservas energéticas, recursos minerais e biodiversidade, além de abrigar infraestruturas sensíveis. Em 2023, a Marinha já havia demonstrado preocupação com a segurança da região ao ordenar que um navio alemão interrompesse atividades de pesquisa não autorizadas na elevação do Rio Grande, uma área reconhecida por seu potencial mineral.

O projeto MANTA possibilitará um alcance superior a 350 milhas náuticas, o que facilitará ações de fiscalização, segurança marítima, proteção ambiental e combate a atividades ilícitas, incluindo pesca ilegal e tráfico. Participam do consórcio, além da IACIT, a Orbital Engenharia, a Polidesign Indústria e Comércio, o Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro, o Centro Espacial do ITA e a Divisão de Engenharia Eletrônica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica.

O vice-almirante Marcelo da Silva Gomes, diretor de Gestão de Programas da Marinha, enfatizou a importância da tecnologia para o monitoramento da região norte do país, definindo a iniciativa como um sistema de altíssimo alcance, essencial para a supervisão dessa área estratégica.

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