Análise sobre a situação fiscal do Brasil e suas consequências para a taxa de juros.
Mansueto Almeida analisa a trajetória fiscal do Brasil e suas implicações para a taxa de juros, destacando a necessidade de um ajuste fiscal.
O economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, destacou que o Brasil enfrenta um cenário desafiador em relação à taxa Selic, que poderá iniciar cortes somente se houver um planejamento fiscal convincente. Durante um evento na B3, Almeida enfatizou que a decisão do Banco Central de não iniciar o afrouxamento monetário em janeiro foi uma escolha consciente, levando em conta a comunicação mais rígida adotada ao longo de 2025.
A Necessidade de um Ajuste Fiscal
Almeida observou que, apesar de a possibilidade de cortes na Selic se aproximar, o Brasil deverá terminar 2026 com juros ainda elevados. Ele projetou uma Selic em torno de 12%, refletindo uma taxa real de 8% quando considerada a inflação projetada. Esse cenário levanta questões sobre a capacidade do governo em estabilizar a dívida pública sem implementar um ajuste fiscal significativo, que ele estima em aproximadamente R$ 250 bilhões.
A situação fiscal é considerada o principal obstáculo, com os juros reais de longo prazo atualmente em torno de 7,5% ao ano. O economista argumentou que não há país que consiga estabilizar sua dívida pública pagando juros reais tão altos. Essa afirmação destaca a complexidade da situação fiscal brasileira, que requer uma abordagem estratégica para evitar uma maior deterioração da economia.
Comparação com Crises Anteriores
Ao comparar a atual situação econômica do Brasil com a crise de 2015 e 2016, Almeida percebe uma realidade bem diferente. Naquela época, o Brasil enfrentava uma recessão severa, com PIB em queda e uma série de problemas estruturais em setores críticos. Atualmente, com uma taxa de desemprego de 5,1%, a menor da história, e um mercado de trabalho aquecido, o país não compartilha dos mesmos desequilíbrios setoriais que marcaram o passado.
No entanto, a questão fiscal permanece como um desafio crítico. Manter os gastos sob controle é essencial, e Almeida ressaltou a necessidade de revisar as regras de indexação automática e implementar um plano claro de controle de despesas. Ele lembrou que, durante o governo Temer, medidas de controle de gastos resultaram em uma rápida redução da inflação e da Selic, uma lição que deve ser considerada pelos próximos governantes.
Perspectivas para o Futuro
Mansueto Almeida acredita que, se o próximo presidente conseguir apresentar um plano crível para o controle da despesa pública, o mercado poderá antecipar um ajuste positivo, mesmo que a dívida continue a crescer no curto prazo. Se houver indicações claras de que a dívida pública começará a ser reduzida ao longo do mandato, poderá surgir um ambiente favorável para cortes significativos na taxa de juros já em 2027.
Conclusão
Em suma, a análise de Mansueto Almeida revela a interdependência entre a política fiscal e monetária do Brasil. O futuro dos juros no país dependerá não apenas das decisões do Banco Central, mas também da capacidade do governo em implementar reformas fiscais que garantam a estabilidade econômica. Sem essas mudanças, o Brasil poderá continuar enfrentando um cenário de juros altos e um crescimento econômico limitado.
Fonte: www.moneytimes.com.br