O Brasil enfrentou uma queda de sete posições no Ranking Mundial de Competitividade, ocupando agora o 65º lugar entre 70 economias analisadas, o que representa o pior desempenho em anos recentes. Este resultado foi abordado por Carla Beni, do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo (Corecon-SP) e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em uma entrevista.
Beni ressaltou que o ranking avalia os países em relação ao líder, que neste ano é Singapura. Embora tenha havido aspectos positivos, a especialista destacou que os fatores negativos, em especial o custo de capital, tiveram um peso maior no resultado final. "O principal fator negativo foi o custo do capital, e a taxa de juros elevada dificulta os investimentos, colocando o Brasil em uma posição inferior em comparação até mesmo com suas próprias empresas", explicou.
Além do custo de capital, a especialista também mencionou outros fatores estruturais que afetam a competitividade do Brasil, como a baixa educação financeira e a escassez de diversidade linguística. Em relação à taxa Selic, Beni identificou a instabilidade do cenário externo e o avanço da inflação interna como dois fatores que pressionam as expectativas do mercado financeiro.
"A instabilidade no cenário externo é bastante acentuada", afirmou, citando declarações de Donald Trump sobre potenciais ataques ao Irã. Internamente, a especialista chamou a atenção para o fato de que o Brasil possui a maior taxa real de juros do mundo, com mais de 9% se considerada a inflação.
Beni comentou ainda sobre as previsões do mercado financeiro, comparando o Boletim Focus a um GPS devido à sua necessidade de constante revisão de rotas. Ela indicou que, segundo um estudo da FGV, a taxa Selic tem permanecido em dois dígitos desde 2022.
Embora o panorama geral seja desfavorável, a especialista destacou alguns pontos positivos no levantamento. O investimento estrangeiro direto, por exemplo, foi citado como um aspecto positivo, com o Brasil se posicionando como o segundo país que mais recebe esses investimentos nos últimos anos. O desempenho em energia renovável e a redução na taxa de fechamento de empresas nos primeiros três anos também foram mencionados como avanços.