Apesar de ajustar preço-alvo para cima, banco aponta relação risco-retorno menos favorável para GGBR4
BTG Pactual rebaixa recomendação da ação Gerdau (GGBR4) para neutra, apesar de elevar preço-alvo para R$ 25, refletindo valorização recente.
O BTG Pactual anunciou nesta sexta-feira (23) a reavaliação da recomendação para as ações da Gerdau (GGBR4), passando de compra para neutra, apesar de elevar o preço-alvo para R$ 25 ao final de 2026. Essa decisão reflete uma percepção de menor atratividade da ação após uma valorização significativa nos últimos meses.
Contexto da recomendação e valuation
Os analistas do BTG Pactual – Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Bruno Henriques – mantêm a visão de que a Gerdau continua sendo a melhor operação siderúrgica no Brasil. No entanto, a valorização de cerca de 40% nas ações nos últimos seis meses estreita o espaço para ganhos futuros, tornando a relação risco-retorno menos favorável. Por isso, recomendam realizar parte dos lucros em níveis atuais.
A revisão da recomendação é principalmente motivada por questões de valuation, já que o modelo financeiro sofreu ajustes marginais. O potencial de valorização estimado pelo banco é de aproximadamente 8,3%, com preço da ação próximo de R$ 23,08 no fechamento anterior.
Desempenho regional e desafios locais
Os analistas destacam um cenário de “duas histórias”: o desempenho robusto das operações nos Estados Unidos contrapõe-se a fundamentos fracos no mercado brasileiro. Nos EUA, a divisão mantém margens elevadas, em torno de 21%, e representa mais de 70% do Ebitda da Gerdau, configurando a principal fonte de geração de resultados positivos.
No Brasil, entretanto, as margens de Ebitda estão projetadas para ficarem entre 6% e 7% no quarto trimestre de 2025, um dos níveis mais baixos da história da companhia, mesmo considerando o segmento de aços especiais, que normalmente contribui para maior rentabilidade.
Além disso, o BTG Pactual não prevê benefícios tangíveis para a Gerdau provenientes dos processos antidumping em andamento no Brasil, o que limita expectativas de formação de um piso no mercado doméstico no curto prazo.
Fluxo de caixa e riscos macroeconômicos
A geração de caixa da empresa enfrenta compressão nos yields, estimados entre 6% e 7%, contra patamares anteriores de 10% a 11%, reduzindo a margem de segurança para os investidores. A expectativa para o quarto trimestre inclui uma geração positiva de fluxo de caixa, porém majoritariamente decorrente de forte liberação de capital de giro, típica da época do ano.
O banco também chama atenção para riscos externos, especialmente relacionados à possível revisão do acordo comercial USMCA (Estados Unidos-México-Canadá). Alterações na estrutura tarifária, incluindo a tarifa recíproca de 50% anunciada anteriormente, podem impactar os spreads regionais e, consequentemente, a performance da Gerdau.
Impacto no mercado e perspectivas
Com a revisão da recomendação, as ações da Gerdau apresentaram queda durante o pregão desta sexta-feira, figurando entre as maiores perdas do Ibovespa. Por volta das 15h, GGBR4 recuava 1,39%, cotada a R$ 22,76.
Desde o início de 2026, as ações já acumulam valorização próxima a 12%, mas o BTG considera que o cenário de forte crescimento nas operações americanas já está em grande parte precificado pelo mercado.
Os investidores devem acompanhar os dados do quarto trimestre, que devem refletir sazonalidade e desafios no mercado doméstico, mantendo a divisão dos EUA como principal alavanca para resultados positivos.
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Fonte: www.moneytimes.com.br
Fonte: Gerdau GGBR4 Ações Balanços Resultados 1T25