Buraco intrigante nos difusores da Mercedes e Ferrari na F1 2026

George Russell, Mercedes W17

Entenda como a abertura nos difusores das equipes Mercedes e Ferrari pode influenciar a aerodinâmica dos carros na nova era da Fórmula 1

Buraco nos difusores da Mercedes e Ferrari na F1 2026 aproveita fluxo de ar para aumentar downforce em uma era de pisos simplificados.

Buraco nos difusores: inovação na aerodinâmica dos carros de 2026

As primeiras imagens dos carros da Fórmula 1 para a temporada 2026 revelaram um elemento curioso: um buraco no difusor do Mercedes W17 e do novo Ferrari, que tem chamado atenção de especialistas e fãs. Essa abertura, maior do que os tradicionais “mouse holes” utilizados até 2022, tem o objetivo de otimizar o fluxo de ar que passa sob os carros, especialmente após as mudanças regulatórias que simplificaram os pisos e reduziram o efeito solo.

Como funciona o buraco no difusor?

O buraco atua em conjunto com os undercut sidepods — recortes estratégicos nos flancos dos carros — que guiam o ar para fluir por baixo dos sidepods e em direção à borda do piso. Essa canalização de ar visa direcionar o fluxo de forma acelerada para o difusor, aumentando a capacidade de gerar downforce mesmo com pisos mais planos.

Para que isso funcione, é essencial evitar que o fluxo se descole, ou seja, perca aderência ao contorno do difusor — um princípio semelhante ao que acontece em asas com ângulos muito acentuados. Assim, a abertura no difusor permite utilizar o ar externo para reforçar e acelerar o fluxo dentro da região inferior do carro, compensando a menor pressão gerada pelo piso simplificado.

Diferenças em relação às eras anteriores

Antes de 2022, os difusores eram selados para maximizar a diferença de pressão e aproveitar os túneis Venturi que canalizavam o ar sob o piso. Essa construção gerava enorme downforce, mas a complexidade do chão do carro era alta.

Com os novos regulamentos de 2026, pisos mais simples e planos reduziram significativamente esse efeito. Por isso, a estratégia mudou: a utilização de um difusor com abertura que aproveita o ar vindo dos sidepods representa uma abordagem externa para fortalecer o fluxo e, consequentemente, a pressão negativa que mantém o carro colado ao solo.

Impactos da turbulência e o papel dos dispositivos laterais

Outro desafio para o difusor é a turbulência gerada pelos chamados “tyre squirts” — fluxos de ar desordenados que saem dos pneus traseiros, perturbando a eficiência aerodinâmica.

Uma novidade é o retorno de elementos que se assemelham aos antigos barge boards, mas com função distinta: eles atuam como dispositivos de “inwash”, direcionando o ar para dentro do carro de modo a reduzir o impacto do ar sujo para os carros que vêm atrás, conforme determina a FIA.

Mercedes e Ferrari, ao reforçar o fluxo pelo buraco do difusor, podem estar também mitigando parcialmente a influência negativa desse ar turbulento, garantindo maior estabilidade e eficiência na traseira.

Reação das equipes e perspectivas para 2026

A abordagem da Mercedes foi considerada “interessante, mas não totalmente surpreendente” por outros times, como Alpine, que reconhecem a importância do desenvolvimento contínuo dessa área crítica.

O diretor técnico da Alpine, David Sanchez, ressaltou que a interação entre a carroceria, difusor e cantos traseiros será um campo de trabalho intenso ao longo da temporada, com muitas evoluções esperadas.

O buraco no difusor simboliza a busca incessante das equipes para extrair máximo desempenho dentro das restrições regulatórias, aproveitando ao máximo cada detalhe aerodinâmico para melhorar a performance em pista. A tendência é que essas soluções evoluam e se tornem cada vez mais sofisticadas com o avanço da temporada de 2026.

Fonte: www.motorsport.com

Fonte: George Russell, Mercedes W17

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