Uma pesquisa do Sebrae revelou um novo perfil dos cafeicultores brasileiros, caracterizado por maior escolaridade e um crescente interesse na produção de cafés especiais, além da busca por certificações. Os pequenos negócios, que representam 54% da cafeicultura nacional, mostram que o setor está se afastando de práticas tradicionais e se aproximando de uma gestão mais empresarial.
Minas Gerais e São Paulo permanecem como os principais polos de produção de café no Brasil, com a maioria dos produtores situados fora da região Sudeste. A pesquisa, baseada na Pesquisa Nacional de Segmentação dos Produtores de Café, indica que a maioria dos produtores possui propriedades de menos de 20 hectares. Em termos de porte, 38% são considerados de médio porte, enquanto apenas 8% são de grande porte.
Entre os pequenos negócios, a pesquisa revela que 61% dos entrevistados cultivam café especial, destacando uma nova elite na cafeicultura, com foco em agricultura regenerativa e uma média de idade que varia entre 21 a 49 anos de experiência no setor. Além disso, 27% dos produtores já possuem alguma certificação e 29% estão em busca de selos que garantam a qualidade de seus produtos.
No que diz respeito à participação feminina, as mulheres ainda representam uma minoria na cafeicultura, com 21% dos produtores entrevistados, em contraste com 79% de homens. Apesar da desproporção, o Sebrae aponta que o avanço das mulheres reflete uma transformação mais ampla na atividade, que está se tornando cada vez mais profissionalizada e voltada para o mercado de cafés especiais.
Outro dado importante diz respeito à renovação geracional no setor. Somente 3% dos produtores entrevistados pertencem à Geração Z, com idades entre 18 e 24 anos. A Geração X, que varia entre 41 e 56 anos, representa 41%, enquanto os baby boomers, acima de 57 anos, somam 29%. Essa demografia indica um desafio para o futuro da cafeicultura, que precisa de novos talentos.
A pesquisa também aponta uma mudança geográfica significativa na produção de café no Brasil. A presença de pequenos negócios tem crescido na Amazônia, especialmente nos últimos cinco anos. Rondônia se destaca com 87% dos produtores classificados como pequenos, seguida pelo Acre, onde esse percentual chega a 83%. Esse crescimento está associado ao avanço do café robusta amazônico e à produção de cafés especiais em áreas emergentes.