Calistenia vs. musculação: qual é melhor para o ganho de massa muscular?

Especialista explica as diferenças entre as modalidades e dá dicas para quem quer ganhar massa muscular sem frequentar academia

A calistenia, modalidade de treinamento baseada em exercícios com o peso do próprio corpo, consolidou espaço entre as principais tendências do universo fitness e saúde. Impulsionada pela praticidade, pela popularização nas redes sociais e pela busca por treinos mais acessíveis, a prática passou a ser associada também ao ganho de massa muscular e à força funcional. Mas será que a modalidade é realmente eficaz? Segundo o educador físico especialista em calistenia Felipe Kutianki, a hipertrofia é possível mesmo sem equipamentos tradicionais de academia, desde que haja estratégia de progressão e estímulos adequados.

Apesar da percepção de que a musculação seria superior para a construção muscular, estudos recentes apontam que exercícios com peso corporal podem gerar hipertrofia em níveis comparáveis aos treinos com cargas externas. Segundo o especialista, os mecanismos fisiológicos são os mesmos. “A hipertrofia acontece por tensão mecânica, dano muscular e estresse metabólico. A calistenia consegue gerar esses três estímulos quando o treino é realizado próximo da falha muscular e com volume adequado”, explica Kutianki.

A principal diferença entre as modalidades está na forma de progressão. Enquanto na musculação o aumento de carga ocorre com anilhas e máquinas, na calistenia a evolução depende da manipulação de alavancas, da amplitude dos movimentos, das fases excêntricas controladas e até da inclusão de peso adicional no corpo. “Quando o praticante executa muitas repetições com facilidade, é necessário modificar o ângulo do exercício, adicionar lastro, aumentar o tempo sob tensão ou ampliar a amplitude do movimento”, afirma o especialista. Segundo ele, atletas avançados chegam a utilizar cargas de 40 a 50 quilos adicionais em exercícios como barras e dips.

Fisicamente, as diferenças entre praticantes de calistenia e musculação tendem a ser menores do que o imaginário popular sugere. Kutianki explica que a musculação permite maior controle de carga e, consequentemente, acelera o ganho de volume muscular. Já a calistenia costuma resultar em um físico mais atlético, definido e funcional, com ênfase no controle corporal e na resistência. “É um ganho mais lento, porém com mais qualidade, já que existe um forte trabalho de estabilização e coordenação neuromuscular”, avalia.

Entre os erros mais comuns observados pelo especialista estão a falta de progressão, treinos sem intensidade suficiente, execução inadequada dos movimentos e alimentação incompatível com objetivos de hipertrofia. Segundo ele, repetir os mesmos exercícios sem aumentar a dificuldade reduz os estímulos musculares. “Sem superávit calórico e ingestão adequada de proteínas, o corpo não tem substrato para crescimento, independentemente da modalidade escolhida”, alerta.

Para finalizar, o especialista destaca que a calistenia pode ser praticada por diferentes perfis, desde iniciantes até atletas avançados, por ser uma modalidade adaptável e acessível. Além de contribuir para o ganho de massa muscular, os exercícios compostos também auxiliam no desenvolvimento de força, mobilidade e coordenação motora. “É possível conquistar hipertrofia com a calistenia, desde que exista um planejamento adequado de treino e alimentação. A grande vantagem é que a prática pode ser feita em casa ou em espaços públicos, sem necessidade de equipamentos caros, sempre com orientação profissional e liberação médica quando necessária”, conclui.

 

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