Instituição da data busca valorizar a cultura hip-hop e suas expressões.
Câmara dos Deputados aprova proposta que institui o Dia Nacional do Hip-Hop.
Câmara dos Deputados aprova Dia Nacional do Hip-Hop
A Câmara dos Deputados, em 11 de novembro de 2025, aprovou a proposta que institui o Dia Nacional do Hip-Hop, a ser celebrado anualmente em 11 de agosto. A proposta, de autoria do Poder Executivo, também cria a Semana de Valorização da Cultura Hip-Hop. O projeto segue agora para o Senado.
O relator do projeto, deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), destacou a relevância do reconhecimento da cultura hip-hop como uma forma de reparar uma dívida histórica do Estado brasileiro com as expressões culturais negras e periféricas. Ele enfatizou que, ao aprovar essa lei, a Câmara declara que o Brasil precisa se orgulhar de suas ruas, quebradas e vielas, que são o coração criativo do país. Silva descreveu o hip-hop como um “grito coletivo” das pessoas invisibilizadas na sociedade e um “quilombo urbano” que celebra a beleza das favelas como espaços de produção de saber e estética.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, apoiou a criação da data e argumentou que isso facilitaria a destinação de recursos públicos para manifestações ligadas à cultura hip-hop. Ela afirmou que a criação do Dia Nacional do Hip-Hop é um manifesto dos excluídos que deve ser ouvido e interpretado, refletindo a resiliência de um povo que frequentemente é relegado a segundo plano nas políticas públicas.
A importância da cultura hip-hop
O deputado Orlando Silva também ressaltou que a cultura hip-hop é um dos fenômenos mais impactantes e transformadores da história contemporânea. Ele afirmou que o hip-hop sempre foi uma pedagogia da resistência, fundamentada em dignidade, criatividade e solidariedade. Os princípios fundamentais do movimento incluem o MC (mestre de cerimônias), o DJ (disc jockey), o breaking, o graffiti e o conhecimento. Esses elementos constituem uma ética de autoafirmação, coletividade e transformação social.
Silva ainda argumentou que o hip-hop é um dos principais instrumentos para a expressão dos sonhos e dores da juventude negra brasileira. Nas batalhas de rima, os jovens têm a oportunidade de denunciar problemas como racismo, genocídio e falta de oportunidades, ao mesmo tempo em que celebram a vida e a potência de ser quem são.
Debate em Plenário
Durante o debate em Plenário, a deputada Erika Kokay (PT-DF) destacou que a cultura hip-hop revela a potencialidade do Brasil invisibilizado. Ela afirmou que esse movimento é um grito que mostra que as quebradas têm uma vida essencial, conectada a nossas próprias existências. A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) também comentou sobre a reparação que representa a criação de um dia para valorizar a cultura das quebradas e das favelas.
Ela ressaltou que as letras do hip-hop, que expressam o saber do povo preto nas periferias, finalmente terão um dia para serem celebradas, reconhecendo que essas culturas são fundamentais para a constituição do país.
A proposta segue agora para o Senado, onde será discutida e, possivelmente, aprovada, consolidando o reconhecimento da cultura hip-hop no Brasil.
Fonte: www.camara.leg.br
Fonte: Câmara dos Deputados
