A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) é vista como um movimento que supera a forte influência do militarismo na direita brasileira, uma análise feita por Rafael Favetti, sócio da Fatto Inteligência Política, em entrevista ao programa WW.
Favetti destacou que a trajetória política de Flávio se distingue da de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele mencionou que, entre os anos de 2017 e 2018, o bolsonarismo trouxe uma carga significativa de militarismo, que acabou permeando parte do espectro da direita no Brasil. O especialista recordou episódios emblemáticos, como passeatas e cartazes que clamavam por medidas drásticas, incluindo o retorno do AI-5, e ressaltou que essa “mitologia do militarismo” chegou a seduzir alguns militares em atividade.
Na análise de Favetti, a campanha de Flávio Bolsonaro representa uma ruptura com esse padrão militarista. Ele afirmou que “a campanha de Flávio, pelo bem ou pelo mal, supera esse militarismo do conservadorismo e da direita brasileira”. O especialista também observou que, dentro da própria família Bolsonaro, a relação com os militares nunca foi consensual, e o liberalismo de Flávio parece prevalecer sobre o conservadorismo em sua trajetória política.
Um indício concreto dessa mudança de postura é a possível indicação de um ministro civil para o Ministério da Defesa, um passo que sugere uma nova abordagem em relação à questão militar.
Favetti também abordou a interação do campo lulista com as Forças Armadas, observando que Lula busca uma aproximação através de ações concretas, como a aquisição de aviões Gripen para a Aeronáutica, a modernização da frota do Exército e o desenvolvimento de um submarino nuclear para a Marinha. No entanto, ele ponderou que a relação entre a esquerda e o militarismo carrega uma ferida histórica mais complexa, originada da luta contra a ditadura militar.
O especialista enfatizou que essa reconciliação é um processo que exigirá tempo, afirmando que “é uma ferida que não depende tanto assim de uma frase, de um carinho”.