Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8) indicou que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alcançou 52% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 48% para o segundo turno das eleições. A analista de política da CNN, Jussara Soares, apontou que esse resultado já era esperado pelos trackings internos da campanha de Lula.
De acordo com Jussara Soares, a equipe de Lula havia se preparado para a possibilidade de que a primeira pesquisa após o primeiro turno apresentasse o presidente em desvantagem em relação a Flávio Bolsonaro. "A campanha já imaginava que a primeira pesquisa após o resultado do primeiro turno fosse com o presidente Lula atrás de Flávio Bolsonaro", afirmou a analista.
Um dos principais desafios identificados pela campanha neste momento é evitar a desmotivação entre os apoiadores. Jussara Soares destacou que a orientação interna é de que o resultado desfavorável "não é sentença para o resultado dia 25 de outubro". Para isso, a estratégia inclui mobilizar a militância e captar votos de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno, além de conquistar o apoio de eleitores de candidatos que não avançaram para o segundo turno.
A campanha também se apoia em precedentes históricos para argumentar que uma virada ainda é viável. Os integrantes do QG mencionam, por exemplo, a eleição de 2014, quando Aécio Neves liderou as primeiras pesquisas em relação a Dilma Rousseff, mas acabou tendo seu resultado revertido.
Outro ponto considerado é que a diferença entre o primeiro e o segundo colocados no primeiro turno é a menor já registrada. Além da mobilização da base, a campanha realizou mudanças em sua equipe e no núcleo duradouro. Em evento recente, Gilberto Carvalho admitiu falhas na condução da campanha, afirmando que "a gente deixou de falar de futuro".
Com isso, a nova orientação é concentrar esforços no futuro, combinando o que Carvalho descreveu como "anúncio" — promessas para um possível próximo mandato — com "denúncia", que consiste em comparações com o histórico de Flávio Bolsonaro. Essa abordagem é a esperança da campanha de Lula para a fase final do pleito.