Gestores destacam riscos e oportunidades do cenário eleitoral para o mercado financeiro
Luis Stuhlberger critica candidatura de Flávio Bolsonaro, destacando riscos políticos e impactos no mercado financeiro em cenário eleitoral binário.
A candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República tem gerado debates acirrados no meio político e financeiro, especialmente após a avaliação feita pelo gestor Luis Stuhlberger, da Verde Asset. Em evento promovido pelo UBS BB, Stuhlberger afirmou que a candidatura de Flávio “não segue a lógica”, ressaltando os riscos políticos e estratégicos para o grupo bolsonarista.
Análise da candidatura de Flávio Bolsonaro
Stuhlberger destacou que a decisão surpreendeu pelo alto risco que representa para a família Bolsonaro. Segundo ele, antes da oficialização da candidatura, a chance de Flávio ser presidenciável era praticamente nula. O gestor criticou a escolha, apontando que ela não se alinha ao raciocínio político tradicional, que priorizaria nomes com maior viabilidade eleitoral e menor desgaste político.
Para ele, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, seria um candidato com maior potencial eleitoral e menor custo político para o bolsonarismo. Nesse cenário, Flávio poderia ocupar cargos estratégicos, como a chefia da Casa Civil ou a presidência do Senado, contribuindo para a busca de soluções institucionais favoráveis ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso.
Reorganização da direita e impacto nas pesquisas
Bruno Coutinho, gestor da Mar Asset, enfatizou que a entrada de Flávio como candidato oficial da direita reorganizou o campo político desse espectro e aumentou a competitividade da eleição presidencial. Segundo ele, as pesquisas indicam uma ascensão consistente do candidato, que saiu de cerca de 15% para aproximadamente 28%, após o endosso do ex-presidente.
Contudo, Coutinho destacou a existência de um eleitorado dividido no Sudeste, especialmente em São Paulo, onde os chamados “swing voters” tendem a preferir Tarcísio ou Flávio de maneira exclusiva. Esse grupo mais moderado é crucial para a estratégia da direita, o que reforça a importância da composição política entre os nomes, mesmo que Tarcísio não ocupe a cabeça de chapa.
Perspectivas do mercado financeiro
Do ponto de vista econômico, os gestores apresentam visões distintas para os dois cenários presidenciais. Coutinho destacou que um eventual governo de Tarcísio seria mais bem recebido pelo mercado, devido à percepção de que ele pode formar uma equipe econômica técnica, com histórico de gestão e menor rejeição, reduzindo o prêmio de risco.
Já a candidatura de Flávio carrega maior incerteza política e econômica, o que dificulta a modelagem do mercado financeiro e eleva o risco político. Essa instabilidade se reflete na precificação dos ativos brasileiros, que deve manter-se volátil até o desfecho eleitoral.
Cenário eleitoral e estratégias de proteção
Stuhlberger acredita que a disputa deve permanecer equilibrada, com possibilidades próximas de 50/50 até o final da campanha. Esse caráter binário reforça a importância de estratégias de proteção para investidores, pois mudanças bruscas no cenário podem ocorrer próximo ao pleito, quando a liquidez diminui e os spreads se ampliam.
Além disso, Coutinho relaciona o debate eleitoral ao risco fiscal, alertando que o crescimento recente, impulsionado por gastos públicos e maior oferta de crédito, convive com riscos estruturais que podem resurgir à medida que a eleição se aproxima e as pressões inflacionárias eventualmente aumentam.
Distorções no mercado de ativos
Ambos gestores observam uma discrepância entre as percepções do mercado acionário e o mercado de juros longos. Enquanto as ações parecem precificar uma eleição mais equilibrada, os juros longos manifestam maior tensão, indicando uma percepção de maior probabilidade de vitória do governo atual ou um prêmio de risco mais elevado.
Essa divergência evidencia a complexidade do cenário político-econômico brasileiro e a necessidade de monitoramento constante por parte dos investidores e analistas.

Foto: Flávio e Jair Bolsonaro
Fonte: www.moneytimes.com.br
Fonte: Flavio e Jair bolsonaro