Com mercado próximo de R$ 1 bilhão no Brasil, empresa aposta em consultores regionais antes de avançar para franchising
Brasil, março de 2026 – A Cannabis Company, primeira farmácia brasileira dedicada exclusivamente à cannabis medicinal e com produtos à pronta-entrega, inicia em abril um novo ciclo de crescimento com um modelo de expansão em duas fases. A estratégia combina, inicialmente, a atuação de consultores especializados em mercados regionais e, em um segundo momento, a estruturação de uma rede de franquias, movimento que acompanha a rápida evolução do setor no país.
A primeira etapa começa pela cidade de São Paulo e região metropolitana, onde a empresa passará a operar com os chamados “consultores canábicos”. Esses profissionais serão responsáveis por conectar médicos prescritores, pacientes e a operação central da marca, atuando no suporte à prescrição, orientação e encaminhamento das receitas, enquanto a entrega dos produtos será feita diretamente ao paciente. Segundo Michele Farran, sócia fundadora da empresa, o modelo foi desenhado para reduzir barreiras ainda presentes no acesso à cannabis medicinal. “Os consultores terão papel fundamental na educação do mercado, apoiando médicos e pacientes em todas as etapas do processo”, explica Michele.
Expansão acompanha crescimento acelerado do setor
O avanço da Cannabis Company ocorre em um momento de forte expansão do mercado brasileiro de cannabis medicinal. De acordo com o Kaya Mind (Anuário da Cannabis Medicinal no Brasil 2025) o setor movimentou cerca de R$ 971 milhões, com crescimento anual superior a 8%, e já soma aproximadamente 873 mil pacientes em tratamento no país.
O crescimento é consistente: o número de pacientes aumentou cerca de 30% em um ano, indicando uma rápida adesão ao tratamento. Hoje, cerca de 85% dos municípios brasileiros já registram ao menos um paciente em uso terapêutico de cannabis, o que mostra a interiorização da demanda. Além disso, o mercado segue sustentado por múltiplos canais de acesso: importação, farmácias e associações de pacientes, e por uma base médica em expansão, com dezenas de milhares de profissionais já realizando prescrições no país.
As projeções indicam continuidade desse avanço. O setor deve ultrapassar a marca de R$ 1,1 bilhão já em 2026 e pode alcançar até R$ 9,5 bilhões no médio prazo, com potencial para atender milhões de pacientes à medida que a regulação evolui.
Modelo prioriza capilaridade antes da franquia
Apesar de a expansão via franquias estar no radar, a empresa optou por um movimento gradual. A fase atual funciona como um teste operacional, permitindo validar demanda, logística e padronização antes de escalar o modelo. “Optamos por começar com os consultores porque esse formato nos permite ganhar capilaridade com mais controle da operação e proximidade com médicos e pacientes. É uma etapa importante para estruturar o modelo, entender as demandas regionais e garantir que a experiência seja padronizada antes de avançar para o franchising”, destaca Michele.
Para atuar como representante, a empresa realiza um processo de seleção que inclui análise de antecedentes e referências. Experiência no setor farmacêutico é considerada um diferencial, assim como conhecimento prévio sobre cannabis medicinal. Os profissionais selecionados passam por capacitação com investimento da própria empresa, em parceria com a BCA Advogados. “O modelo também exige dedicação integral e exclusividade, reforçando o posicionamento da Cannabis Company como operação especializada em um segmento ainda em consolidação”, ressalta a sócia fundadora da Cannabis Company.
Projeção financeira e estratégia de longo prazo
A expectativa é que cada operação regional atinja faturamento médio mensal de cerca de R$ 150 mil após o período de maturação. No curto prazo, a empresa projeta crescimento gradual, acompanhando o desenvolvimento das relações com médicos prescritores e a formação de base de pacientes. “A segunda fase da expansão prevê a entrada no franchising, ampliando a presença física da nossa marca em outras regiões do país. A estratégia reflete uma abordagem cautelosa em um mercado que, apesar do crescimento acelerado, ainda enfrenta desafios regulatórios, custo elevado para pacientes e necessidade contínua de educação”, destaca a empresária.
Um mercado em consolidação e disputa
O avanço da Cannabis Company também evidencia uma mudança estrutural no setor. O mercado brasileiro de cannabis medicinal deixa de ser um nicho restrito e passa a se organizar como um ecossistema mais amplo, que envolve indústria farmacêutica, associações de pacientes, médicos e novos modelos de varejo. Nesse contexto, iniciativas que combinam capilaridade, educação e simplificação de acesso tendem a ganhar protagonismo. “Ao apostar em consultores regionais antes de escalar franquias, a Cannabis Company está sinalizando que, mais do que crescer rapidamente, o desafio agora é estruturar um mercado que ainda está sendo construído”, completa Michele.