Morte do cão comunitário gera questionamentos sobre a condução do caso
Investigação da morte do cão Orelha levanta críticas sobre a atuação da polícia em Santa Catarina.
A condução da investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha e os maus-tratos ao cão Caramelo em Florianópolis se transformou em um verdadeiro campo de batalha entre a população e a Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC). O caso, que chocou a comunidade local, revelou não apenas a crueldade dos atos, mas também a fragilidade da resposta institucional diante do crime.
Contexto da Investigação
O cão Orelha foi encontrado gravemente ferido em 4 de janeiro, após ter supostamente sido agredido. Laudos da Polícia Científica indicam que o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, levando à sua morte em uma clínica veterinária. Desde então, a Polícia Civil se viu sob pressão diante da ausência de respostas e das múltiplas versões apresentadas ao longo da investigação. As críticas à PCSC aumentaram especialmente após o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitar mais esclarecimentos e precisão na reconstrução dos eventos.
As investigações, que contaram com o testemunho de 24 pessoas e a análise de mais de mil horas de gravações, não conseguiram oferecer uma narrativa clara e convincente, levando a defesa dos suspeitos a contestar a validade das provas coletadas. Além disso, o fato de que o processo tramita em segredo de Justiça, por envolver menores de idade, gera ainda mais descontentamento público.
Detalhes do Caso
Com a conclusão da investigação em 3 de fevereiro, a Polícia Civil pediu a internação de um adolescente e indiciou três adultos por coação de testemunhas. Entretanto, a defesa do adolescente contestou a narrativa policial, incluindo a divulgação de um vídeo que mostra Orelha andando na rua, aparentemente sem ferimentos, cerca de uma hora e meia após a suposta agressão. Isso lança dúvidas sobre a exatidão da linha temporal apresentada pela investigação. Embora a polícia tenha confirmado que o cachorro no vídeo é Orelha, destacou que não afirmou que o animal morreu imediatamente após a pancada.
A principal evidência apresentada pela polícia é um outro vídeo que captura um dos suspeitos saindo de um condomínio durante o horário em que o ataque teria ocorrido. Essa evidência, embora pareça incriminadora, não é suficiente para dissipar as dúvidas levantadas por testemunhas e pela defesa, que apontam a falta de outros registros que comprovem a agressão em si. Com a pressão aumentando, organizações não governamentais (ONGs) pedem a federalização do caso, alegando parcialidade na investigação e o risco de impunidade.
Futuro da Investigação
Com a gravidade do caso e as agressões extremas sofridas pelo cão Orelha, há uma crescente preocupação sobre a possibilidade de que múltiplos agressores possam ter participado do crime. Essa hipótese não apenas complicaria a busca por justiça, como também aponta para falhas estruturais na forma como a polícia está lidando com a situação. O pedido de federalização evidencia um descontentamento generalizado com a condução das investigações e a necessidade de um olhar mais atento às questões que envolvem maus-tratos a animais.
Conclusão
A morte do cão Orelha trouxe à tona não apenas a brutalidade do ato em si, mas também as fragilidades de um sistema que se propõe a proteger não apenas os cidadãos, mas também os seres mais vulneráveis. A pressão sobre a PCSC para que melhore sua atuação é mais do que necessária; é um clamor da sociedade por justiça e ética na condução de investigações que envolvem crimes de tamanha gravidade.
Fonte: www.metropoles.com
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