Imagens levantam questionamentos sobre a cronologia dos fatos.
Imagens do cão Orelha após agressão geram novas discussões sobre o caso.
O impacto das novas imagens
A divulgação de um vídeo que mostra o cão comunitário Orelha caminhando pela Praia Brava, em Florianópolis, após o horário em que, segundo a polícia, teria ocorrido a agressão, trouxe à tona um novo debate sobre a cronologia dos eventos que culminaram na morte do animal. As imagens foram apresentadas pela defesa de um dos adolescentes investigados e sugerem que a acusação contra ele pode ser frágil. O advogado do suspeito, Alexandre Kale, argumenta que o intervalo entre os eventos é extenso, questionando a veracidade das declarações que indicam que Orelha teria morrido imediatamente após a agressão.
Contexto da agressão
A Polícia Civil de Santa Catarina informou que Orelha foi agredido por volta das 5h30 do dia 4 de janeiro. Entretanto, o vídeo revela o cão andando livremente pelas ruas às 7h05, levantando dúvidas sobre sua condição física nesse período. Apesar de a delegada Mardjoli Valcareggi confirmar que as imagens mostram Orelha, ela não afirmou que o cão teria falecido imediatamente após a agressão. Segundo ela, moradores relataram ter visto o animal machucado ao longo do dia, o que sugere que a lesão não levou à morte instantânea.
O veterinário que examinou Orelha posteriormente indicou que a ferida na cabeça poderia ter se deteriorado ao longo de dois dias, o que explicaria sua atividade na manhã de 4 de janeiro. Infelizmente, o cão não sobreviveu aos ferimentos e faleceu no atendimento veterinário.
Detalhes da investigação
O inquérito relata que os adolescentes envolvidos no caso deixaram um condomínio na Praia Brava logo antes da agressão e retornaram em um curto período. Testemunhos e imagens contradizem a versão apresentada pelo adolescente, que alegou permanecer no local durante todo o incidente. A polícia ouviu 24 testemunhas e investigou oito adolescentes, mas a defesa argumenta que as provas são meramente circunstanciais.
Curiosamente, o adolescente deixou o Brasil logo após a identificação dos suspeitos e retornou apenas em 29 de janeiro, o que levantou ainda mais suspeitas sobre sua implicação no caso. Um familiar dele tentou ocultar evidências, como um boné e um moletom que foram utilizados no dia do crime, o que gerou questionamentos adicionais sobre a credibilidade da defesa.
Implicações sociais e jurídicas
A morte de Orelha não só gerou um clamor social por justiça, mas também trouxe à tona questões sobre a proteção animal no Brasil e as implicações do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Os adolescentes envolvidos poderão enfrentar sanções, e a investigação está sob a análise do Ministério Público de Santa Catarina.
Orelha, que era um cão conhecido e querido pela comunidade, viveu na Praia Brava por mais de uma década, sendo cuidado por moradores e comerciantes locais. Sua trágica morte mobilizou não apenas a população local, mas também despertou um debate mais amplo sobre a violência contra animais e a responsabilidade social na proteção dos mesmos. O caso continua a ser acompanhado pelas autoridades, enquanto a defesa tenta descredibilizar as acusações, apresentando uma narrativa que contrasta fortemente com as evidências coletadas até agora.
A situação do cão Orelha serve como um lembrete doloroso da necessidade de maior proteção e respeito aos direitos dos animais, bem como um apelo à sociedade para que se posicione contra a violência e o descaso com as vidas que compartilham nosso espaço urbano.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: NSC Total