Shenzhou 20 completa reentrada após 270 dias em órbita, marcado por danos causados por lixo espacial
A cápsula Shenzhou 20, danificada por impactos de lixo espacial, retornou com segurança à Terra após missão de 270 dias na estação Tiangong.
A cápsula chinesa Shenzhou 20 concluiu sua reentrada e pouso no dia 19 de janeiro no sítio de pouso Dongfeng, na Região Autônoma da Mongólia Interior, após uma missão espacial que durou 270 dias. Este retorno foi marcado por uma situação emergencial sem precedentes na história do programa espacial humano chinês, ocasionada por danos provocados por detritos espaciais ao seu visor.
Danos causados por detritos espaciais
Durante a missão, foram detectadas pequenas rachaduras no vidro da janela da cápsula, um problema atribuído a um impacto com lixo espacial. O visor da Shenzhou 20 é composto por três camadas de vidro com diferentes funções: a camada externa resistente ao calor, a camada intermediária que suporta a pressão e a camada interna que garante a estanqueidade da cabine. A rachadura ocorreu na camada externa, essencial para proteger a nave durante o intenso calor da reentrada atmosférica.
Medidas emergenciais e lançamento de substituição
Devido ao risco apresentado pela cápsula danificada, a tripulação da Shenzhou 20 não retornou à Terra com seu próprio veículo, mas sim a bordo da Shenzhou 21, em voo realizado em 14 de novembro do ano anterior. Em paralelo, a Administração Espacial Nacional da China (CNSA) organizou, em tempo recorde de 16 dias, o lançamento emergencial da Shenzhou 22, uma nave não tripulada enviada para a estação Tiangong para assegurar que a tripulação da Shenzhou 21 pudesse retornar com segurança no futuro.
Operação de recuperação inédita
A recuperação da cápsula Shenzhou 20 foi realizada durante o inverno, o período mais frio do ano na região do pouso, apresentando desafios adicionais para as equipes e equipamentos. Segundo o comandante local, Xu Peng, foram adotadas medidas especiais para proteção contra o frio.
Além disso, a operação incorporou metodologias inovadoras, utilizando drones e veículos terrestres não tripulados para auxiliar as equipes de busca e resgate. Devido à ausência de astronautas a bordo, a cápsula não realizou a separação manual do paraquedas principal, que poderia arrastar o veículo ao solo. Por isso, a equipe terrestre precisou agir rapidamente para cortar o paraquedas e garantir a segurança do equipamento.
Itens de valor e legado da missão
Entre os itens recuperados estava uma roupa espacial retirada de serviço após mais de quatro anos em órbita, que cobriu 11 astronautas chineses em oito missões e permitiu a realização de 20 caminhadas espaciais.
Desdobramentos futuros
Com o sucesso da operação emergencial e o retorno seguro da cápsula, a CNSA confirmou a chegada da Shenzhou 23 ao Centro de Lançamento de Jiuquan, preparando-se para futuras missões. A experiência reforçou a estratégia chinesa de manter uma nave reserva para contingências, adotada desde a missão Shenzhou 12, que até então nunca havia sido acionada em caráter emergencial.
Este episódio destaca os desafios e avanços da exploração espacial humana, ressaltando a importância da preparação, inovação e capacidade de resposta rápida diante de imprevistos no ambiente orbital.
Fonte: www.space.com
