Primeiro-ministro canadense destaca compromisso com CUSMA após pressão dos EUA sobre acordo com Pequim
Mark Carney afirma que Canadá não busca acordo de livre comércio com China, respeitando CUSMA, após ameaças de tarifas de Trump.
O contexto das relações comerciais entre Canadá, China e Estados Unidos ganhou novos capítulos em janeiro de 2026, quando o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, declarou que o Canadá não pretende negociar um acordo de livre comércio com a China, reforçando o compromisso com o acordo trilateral entre Canadá, EUA e México, conhecido como CUSMA (ou USMCA).
Tensões comerciais e ameaças de tarifas
A declaração de Carney veio após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar impor uma tarifa de 100% sobre os produtos canadenses caso o Canadá avançasse em parceria comercial com a China. Trump acusou o Canadá de tentar se tornar um “ponto de entrada” para produtos chineses nos Estados Unidos, numa postura que ele classificou como “um erro grave”.
Essas ameaças se inserem num cenário de crescente tensão entre Washington e Ottawa, que culminou até na retirada pelo governo Trump do convite ao Canadá para integrar seu “Conselho da Paz”, em resposta a críticas feitas por Carney sobre coerção econômica por grandes potências durante o Fórum Econômico Mundial.
Ajustes comerciais entre Canadá e China
Apesar de negar a intenção de um tratado de livre comércio, Canadá e China fecharam em 16 de janeiro um acordo preliminar para redução de tarifas em determinados produtos. O Canadá concordou em permitir a entrada anual de 49 mil veículos elétricos chineses com uma tarifa reduzida de 6,1%, após ter elevado essa tarifa para 100% em outubro de 2024 em linha com os EUA.
Por sua vez, a China reduzirá tarifas sobre exportações agrícolas canadenses, como óleo de canola, cujas taxas cairão para 15% a partir de 1º de março, de um patamar anterior de 85%. Outros produtos, como farelo de canola, lagostas, caranguejos e ervilhas, ficarão isentos de tarifas discriminatórias até o final de 2026.
Carney afirmou que essas medidas são um ajuste necessário para corrigir distorções recentes e estão em conformidade com as regras do CUSMA.
Implicações para o comércio trilateral
O diálogo entre Canadá, China e EUA reflete as complexidades da interdependência econômica em meio a rivalidades políticas. Enquanto os EUA buscam conter o acesso chinês ao seu mercado via Canadá, o governo canadense tenta equilibrar relações comerciais com ambos os países, sem violar compromissos multilaterais.
Em agosto de 2025, Trump já havia elevado tarifas sobre produtos canadenses de 25% para 35%, principalmente em setores como aço, cobre e autopeças, mesmo que o CUSMA preveja isenção para a maioria das exportações canadenses.
Perspectivas futuras
O cenário comercial permanece volátil, com o Canadá adotando uma postura cautelosa para evitar escalada de conflitos com os EUA, seu maior parceiro comercial. A manutenção do acordo CUSMA e ajustes tarifários pontuais com a China ilustram uma estratégia de equilíbrio e pragmatismo diante das pressões geopolíticas.
O episódio ressalta como as dinâmicas comerciais contemporâneas são atravessadas por tensões políticas, exigindo negociações delicadas para preservar interesses econômicos e estratégicos de cada país.
Fonte: www.cnbc.com
Fonte: CNBC