Ministros indicados pelo Centrão compõem maioria do Tribunal de Contas da União no julgamento do caso Master
Centrão indicou a maioria dos ministros do TCU que avaliam a liquidação do Banco Master, com ligações a aliados políticos e empresários.
A maioria dos ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) que vai julgar a liquidação do Banco Master foi indicada pelo Centrão no Congresso Nacional, destacando a influência política na corte responsável por fiscalizar atos administrativos.
Composição política do TCU e o papel do Centrão
Conforme estabelecido pela Constituição, o TCU é composto por nove ministros: seis indicados pelo Congresso Nacional e três pelo presidente da República. Essa divisão explica o perfil político marcado pelo predomínio do Centrão no tribunal. Entre as indicações recentes, destacam-se ministros que mantêm ligações políticas com grupos parlamentares e com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O presidente do Tribunal, Vital do Rêgo, ex-senador pelo MDB da Paraíba e aliado do governo Lula, foi indicado em 2014 e assumiu a presidência do TCU no final de 2024. Sua liderança reforça o alinhamento político do tribunal com o Centrão e aliados governistas.
Ministros indicados e suas trajetórias
A composição atual do TCU inclui nomes com indicações que remontam a governos anteriores e distintos grupos políticos:
Walton Alencar Rodrigues e Benjamin Zymler indicados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso;
Augusto Nardes e Aroldo Cedraz indicados pela Câmara dos Deputados, com histórico político ligado ao PP e ao grupo ACM;
Vital do Rêgo Filho e Bruno Dantas indicados pelo Senado Federal;
Jorge Oliveira indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro;
Antonio Anastasia, ex-governador e senador, indicado pelo Senado, conhecido por sua trajetória no PSDB e posteriormente PSD;
Jhonatan de Jesus, ex-deputado federal pelo Republicanos de Roraima, indicado pela Câmara em 2023 com apoio do ex-presidente da Câmara Arthur Lira.
Essa diversidade de indicações demonstra a influência do Centrão e seus aliados, que garantem controle político sobre o tribunal.
Análise da liquidação do Banco Master pelo TCU
Em 12 de janeiro, o presidente do TCU declarou que o Banco Central concordou com a inspeção e vai disponibilizar documentos relacionados à liquidação do Banco Master. O processo é caracterizado como técnico e regulatório, dentro da expertise da corte.
A investigação ocorre em meio a suspeitas que levaram, por exemplo, o INSS a bloquear R$ 2 bilhões em contratos de consignados vinculados ao Master. A Polícia Federal também prorrogou as investigações sobre o banco, incluindo a quebra de sigilos de diversas pessoas e entidades.
Próximas indicações e o cenário político
Ainda em 2026, o TCU deverá receber uma nova indicação. A disputa está entre o deputado Odair Cunha (PT-MG), com forte apoio do Centrão e da atual presidência da Câmara, e o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE). Essa escolha poderá reforçar ainda mais a influência política do Centrão dentro do tribunal.
A situação evidencia como a jurisdição técnica do TCU, especialmente em casos sensíveis como a liquidação do Banco Master, está estreitamente ligada a articulações políticas, que podem impactar tanto o andamento quanto o desfecho das investigações.
Impactos e desdobramentos no setor financeiro
A atuação do TCU na liquidação do Banco Master é fundamental para garantir a transparência e a conformidade dos atos administrativos relacionados ao setor financeiro. No entanto, a composição política da corte levanta discussões sobre a independência institucional e a possibilidade de conflitos de interesse, sobretudo diante da proximidade de alguns ministros com o empresário envolvido.
Essa situação está sendo monitorada nacionalmente, pois pode influenciar não apenas a deliberação sobre o Master, mas estabelecer precedentes quanto à fiscalização de instituições financeiras em crise.

Foto: de fachada do Tribunal de Contas da União TCU
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: de fachada do Tribunal de Contas da União TCU
