Decisão de salvaguarda gera preocupações e novas estratégias no comércio bilateral.
A China impõe novas tarifas sobre carne bovina, refletindo tensões internas. Entenda as implicações dessa decisão.
O novo cenário comercial gerado pela recente decisão da China de adotar cotas e tarifas adicionais sobre a importação de carne bovina, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026, reflete uma realidade complicada e cheia de nuances. Turbada por pressões internas, essa medida não se limita a um ataque ao Brasil, mas sim é uma tentativa de equilibrar interesses locais.
Desdobramentos da Salvaguarda
Essa salvaguarda foi anunciada no último dia de 2025, com a implementação de cotas específicas por país e uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que superarem esses limites. O Brasil, que atualmente se destaca como o maior exportador de carne bovina para a China, terá uma cota inicial de 1,106 milhão de toneladas sem tarifa extra em 2026. Esse volume é inferior ao que foi exportado em 2025, que somou 1,499 milhão de toneladas até novembro. Outros países exportadores, como Argentina e EUA, também enfrentarão essas restrições.
A Reação dos Especialistas
Segundo Larissa Wachholz, sócia-diretora da Vallya Agro, a decisão da China é uma resposta à crescente insatisfação de produtores locais, especialmente em províncias que dependem fortemente da produção nacional. “Os principais exportadores de carne bovina estão sendo afetados de forma conjunta, e essa é uma resposta à demanda dos produtores chineses”, comenta.
Estratégias para o Futuro
Diante desse cenário, Larissa sugere que o Brasil deve adotar uma abordagem mais robusta, ampliando a relação bilateral com a China através de investimentos cruzados. Isso inclui aumentar a presença de empresas brasileiras na China e vice-versa, especialmente em projetos que valorizem o produto. “Parcerias com investimento direto podem permitir o desenvolvimento de produtos que atendam às preferências dos consumidores chineses”, explica.
O Papel da Presença Institucional
A especialista também destaca a importância de uma atuação institucional eficaz por parte do Brasil na China. Com a abertura de escritórios da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a presença local se torna fundamental para entender melhor as complexidades do mercado chinês.
“Estar presente localmente ajuda a amenizar os potenciais efeitos de medidas como essa sobre as exportações”, conclui.
Em resumo, embora a nova política de salvaguardas represente um desafio, ela também abre espaço para o Brasil se adaptar e fortalecer suas relações comerciais com a China, um mercado em constante evolução.
Fonte: www.moneytimes.com.br
