A China manifestou a possibilidade de iniciar investigações comerciais contra a União Europeia (UE) caso o bloco avance com um plano que visa restringir a importação de produtos estrangeiros que são fortemente subsidiados. A informação foi divulgada por meio da conta Yuyuantantian, associada à emissora estatal CCTV, que indicou que as autoridades chinesas poderiam considerar a proposta europeia como uma discriminação e uma ameaça à segurança da cadeia de suprimentos.
A ameaça da China ocorre em um momento em que representantes da UE se reúnem nesta sexta-feira (29) para discutir o fortalecimento dos mecanismos de defesa comercial do bloco. Essa medida é encarada como uma resposta ao crescimento das exportações chinesas em setores considerados estratégicos para a economia europeia.
De acordo com um documento obtido pela Dow Jones Newswires, países como França, Espanha e Holanda, entre outros membros da UE, estão defendendo que a Comissão Europeia amplie as investigações sobre práticas comerciais desleais. Eles também propõem que o bloco adote uma postura mais ativa em disputas na Organização Mundial do Comércio (OMC), além de reforçar as regras para evitar a evasão de normas e aumentar os recursos destinados à defesa comercial.
O comissário europeu para a Indústria, Stéphane Séjourné, declarou recentemente ao Financial Times que Bruxelas está disposta a ampliar o uso de ferramentas como tarifas e cotas de importação para proteger setores estratégicos, como o químico e o de tecnologias limpas, da concorrência de empresas chinesas que recebem apoio estatal. Essa proposta, segundo analistas, pode se transformar em um mecanismo abrangente de defesa comercial focado na China.
Se implementada, a proposta da UE poderia limitar a importação de produtos e impor tarifas setoriais, afetando diretamente as exportações chinesas em segmentos como veículos elétricos, aço e painéis solares. A conta Yuyuantantian observou que, apesar de a UE não ter mencionado explicitamente a China em sua proposta, a iniciativa é claramente direcionada ao país.
A conta ainda destacou que a política econômica e comercial da UE em relação à China tem tomado um rumo cada vez mais radical, citando a adoção de medidas como a Lei do Acelerador Industrial. Nos últimos anos, a China e a UE têm se envolvido em uma série de disputas comerciais, resultando em medidas retaliatórias de ambos os lados. O bloco europeu, preocupado com o impacto das importações chinesas de baixo custo sobre sua competitividade, abriu diversas investigações contra empresas do país asiático.