Discursos duros contrastam com declarações de Trump sobre suspensão das execuções no Irã
Executivos iranianos reforçam medidas severas contra manifestantes, enquanto Trump afirma suspensão das execuções, em meio a repressão que já matou milhares.
O clérigo xiita Ayatollah Ahmad Khatami, uma das figuras mais influentes do regime iraniano, clamou em um sermão pela execução dos manifestantes após semanas de protestos e repressão violenta no Irã. Ele definiu os manifestantes como “hipócritas armados”, acusando-os de serem agentes de Israel e dos Estados Unidos, e declarou que nenhuma das duas potências poderia esperar por paz.
Discurso duro em meio à repressão
Khatami, membro do Conselho Guardião e da Assembleia dos Especialistas, órgãos-chave para a nomeação do líder supremo, fez suas declarações em meio a uma onda brutal de repressão que já causou a morte de mais de 3.000 pessoas e mais de 22 mil prisões, segundo organizações de direitos humanos. O regime identificou os protestos como uma conspiração estrangeira para desestabilizar o país.
Contraste com declarações de Donald Trump
Em contradição à postura do clérigo, o então presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que as autoridades iranianas haviam concordado em suspender as execuções dos manifestantes, afirmando ter evitado um ataque militar. Trump agradeceu o Irã pela suspensão das execuções, mencionando uma cifra de 800 manifestantes, apesar da falta de confirmação independente.
Repressão e consequências humanitárias
A repressão inclui o fechamento da internet por mais de uma semana, bloqueio de informações externas e relatos de execuções em massa. O líder supremo Ali Khamenei chamou Trump de “criminoso” por sua interferência e prometeu medidas severas contra os que considera sediciosos, reforçando o endurecimento do regime.
Impacto dos protestos e perspectivas
Os protestos começaram em 28 de dezembro com comerciantes em Teerã, desencadeados pela desvalorização da moeda local. Eles evoluíram para um movimento nacional exigindo mudanças políticas profundas, o maior desde a Revolução Islâmica de 1979. Apesar da queda no número de manifestantes nas ruas devido à repressão, a oposição, incluindo Reza Pahlavi, herdeiro do último xá do Irã, continua a pedir a derrubada do regime e apela para intervenção externa.
Danos materiais alegados pelo regime
Em seu discurso, Khatami atribuiu aos manifestantes danos significativos a locais religiosos e serviços de emergência, citando centenas de mesquitas, hospitais, ambulâncias e veículos de emergência como alvos, reforçando a narrativa oficial de que os protestos são atos de sabotagem.
Este cenário evidencia um Irã profundamente dividido, com o governo disposto a utilizar medidas extremas para conter a dissidência, enquanto o mundo observa com apreensão o impacto das decisões políticas e humanitárias decorrentes desses eventos.
Fonte: www.theguardian.com
Fonte: Wana News Agency/Reuters
