UNCTAD projeta crescimento modesto nas trocas internacionais, afetado por cenário econômico fragilizado e barreiras comerciais
Comércio global deve desacelerar em 2026 devido a crescimento econômico mais frágil e aumento do protecionismo, segundo UNCTAD.
O comércio global deve desacelerar em 2026, segundo o balanço divulgado pela UNCTAD, refletindo um cenário econômico mundial mais frágil e fragmentado. Após registrar um recorde histórico em 2025, com trocas comerciais globais que ultrapassaram US$ 35 trilhões — um aumento de 7% sobre 2024 —, a projeção para o próximo ano aponta para um crescimento modesto de 2,6%. Autoridades da UNCTAD destacam que essa desaceleração é consequência direta da combinação entre a retração da economia global e o fortalecimento do protecionismo, que vêm afetando o fluxo e a dinâmica do comércio internacional.
Impactos das desacelerações econômicas em grandes blocos como EUA, China e Europa
Nos Estados Unidos, a economia deve desacelerar de 1,8% em 2025 para 1,5% em 2026, enquanto a China projeta um recuo de 5% para 4,6%, conforme os dados da UNCTAD. A Europa, mesmo amparada por estímulos fiscais pontuais — como os recentemente anunciados pela Alemanha —, deverá apresentar uma demanda interna mais modesta. Esse cenário de crescimento econômico reduzido limita o apetite por importações, criando um ambiente de incertezas para o comércio internacional. Essa conjuntura representa desafios para a ampliação das cadeias globais de valor e para a recuperação econômica dos países emergentes, especialmente diante das condições financeiras mais restritivas.
O avanço do protecionismo e suas consequências para o comércio internacional
Um dos fatores centrais que contribuem para a desaceleração do comércio global em 2026 é o avanço do protecionismo. O aumento de barreiras comerciais, revisões das regras nacionais e a reorganização das cadeias de suprimentos elevam os custos operacionais e aumentam a incerteza para empresas e governos. Além disso, a corrida pelas transições digital e verde impõe adaptações rápidas, o que pode restringir o planejamento e os investimentos no curto prazo. Esse contexto cria uma fragmentação nos fluxos comerciais, dificultando a cooperação internacional e pressionando economias menos resilientes.
Desafios para países em desenvolvimento e recomendações da UNCTAD
Os países em desenvolvimento, excluindo a China, tendem a enfrentar um crescimento mais lento, com a projeção para 2026 caindo para 4,2% ante 4,3% em 2025. A UNCTAD alerta que o enfraquecimento do ciclo global pode afetar negativamente investimentos, geração de emprego e renda nesses mercados. Para mitigar esses impactos, a entidade recomenda estratégias focadas na integração regional, aproveitamento de oportunidades no comércio digital e implementação de políticas industriais que fortaleçam a resiliência econômica. Sem essas medidas, as economias vulneráveis correm o risco de estagnar diante do ambiente internacional mais desafiador.
Perspectivas e medidas para enfrentar o cenário global de menor crescimento comercial
A perspectiva de crescimento mais modesto no comércio internacional em 2026 exige adaptação e inovação por parte dos países e empresas. O fortalecimento da integração regional pode funcionar como um escudo contra choques externos e proporcionar maior estabilidade. A adoção de políticas industriais que priorizem a resiliência frente às mudanças tecnológicas e ambientais é vital para manter a competitividade. A digitalização do comércio surge como uma oportunidade para explorar nichos e mercados alternativos, compensando parcialmente o impacto do protecionismo e da fragilidade econômica. Em síntese, o cenário global demanda respostas coordenadas para evitar que a desaceleração do comércio prejudique a recuperação econômica e o desenvolvimento sustentável.
Fonte: www.moneytimes.com.br
