A importância da estratégia de preço no setor de imóveis
A má precificação pode transformar imóveis em verdadeiros ralos de dinheiro, afetando a liquidez e o retorno do capital.
O mercado imobiliário enfrenta um cenário onde a correta precificação se tornou um imperativo financeiro. A estratégia de liquidez deve ser prioritária para quem deseja converter patrimônio em dinheiro. Existem duas motivações distintas para a venda de imóveis: a busca por uma venda real e a especulação, que pode transformar um imóvel em um ralo de dinheiro. Para o vendedor realista, o imóvel é um meio para alcançar outras metas financeiras, enquanto o especulador aposta na futura valorização.
O custo da má precificação no mercado imobiliário
A má precificação não apenas retarda a venda de um imóvel, mas também representa uma perda significativa em termos de retorno de capital. Com a Selic em níveis elevados, cada mês fora do mercado significa uma oportunidade perdida. Por exemplo, um imóvel precificado em 20% acima do valor de mercado pode resultar em uma perda de 10% a 12% ao ano em aplicações financeiras conservadoras. Ademais, o proprietário ainda arca com custos como IPTU e manutenção, o que torna a defesa de um preço errado uma decisão financeiramente prejudicial.
Valorização do mercado e a necessidade de adaptação
Apesar do cenário desafiador, o mercado imobiliário brasileiro apresenta um ciclo de valorização. Dados da ABECIP revelam que o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R) cresceu 18,6% em 2025, o maior aumento desde 2016. Este crescimento não é meramente conjuntural, mas sim sustentado por fatores estruturais. A valorização em cidades como São Paulo e Belo Horizonte aumenta a atratividade dos imóveis como proteção contra a inflação, mas apenas para aqueles que se mantêm alinhados com a realidade do mercado.
A importância da análise técnica na precificação
A distância entre o preço desejado pelo proprietário e o valor de fechamento real se torna cada vez mais perigosa. O mercado atual é seletivo e os preços devem se basear em dados concretos. Em 2025, a RE/MAX Brasil reportou um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 14,3 bilhões, um aumento de 14,2% em relação ao ano anterior. Este desempenho é uma prova de que a boa precificação, fundamentada em pesquisa de mercado, gera demanda real. Importante ressaltar que 48% da população brasileira demonstra intenção de adquirir um imóvel nos próximos 24 meses, indicando que o mercado ainda respira vida, mas exige estratégias eficazes.
Perspectivas e recomendações para investidores
Para 2026, o desafio será evitar interpretações errôneas dos dados de valorização. Proprietários que extrapolarem as tendências e impuserem margens excessivas em preços já inflacionados correm o risco de estagnar seus patrimônios. O perfil do comprador atual é informado e seletivo, e aqueles que compreendem a importância da liquidez estarão em melhor posição para se beneficiar da valorização projetada.
Além disso, o mercado de locação, com o índice IVAR da FGV crescendo 8,9% em 2025, oferece uma alternativa rentável para investidores que optam por não vender, desde que essa decisão seja estratégica. A estabilidade financeira do sistema, com garantias imobiliárias superando dívidas, minimiza riscos de bolhas no setor.
Em suma, a correta precificação não é apenas uma questão de valor, mas uma estratégia crucial para maximizar o retorno sobre investimento. Em um ambiente de juros elevados, o tempo em que um imóvel permanece à venda se transforma no custo mais elevado que um proprietário pode assumir.
Fonte: brazileconomy.com.br