Como se formam os super-Terras: a influência da radiação estelar

Keith Cooper

Estudo revela que a evaporação atmosférica é chave para a origem dos planetas super-Terras e sub-Netunos

Pesquisa com sistema V1298 Tau mostra que radiação estelar provoca evaporação atmosférica, formando planetas super-Terras e sub-Netunos.

A recente descoberta envolvendo o sistema V1298 Tau, situado a cerca de 350 anos-luz da Terra, oferece pistas fundamentais sobre como se formam os super-Terras e sub-Netunos, os tipos de planetas mais comuns identificados até hoje fora do nosso sistema solar.

Sistema V1298 Tau: um laboratório planetário jovem

O sistema, com uma estrela semelhante ao Sol com apenas 23 milhões de anos, abriga quatro planetas com órbitas compactas e períodos que variam de 8,2 a 48,7 dias terrestres. Essa proximidade incomum coloca todos eles dentro da órbita de Mercúrio no nosso sistema, evidenciando um arranjo astronômico bastante denso.

Medindo massas e revelando atmosferas “fofas”

Utilizando variações no tempo de trânsito dos planetas — fenômeno onde o puxão gravitacional entre eles altera o momento exato em que passam diante da estrela — os pesquisadores mediram a massa de cada planeta com precisão inédita. Combinar esses dados com os raios planetários permitiu calcular densidades extremamente baixas, indicando atmosferas estendidas e leves.

Fotoevaporação: o processo que molda os super-Terras

A intensa radiação ultravioleta e raios X da estrela jovem aquece e infla essas atmosferas, tornando-as vulneráveis à perda gradual por ventos estelares, um fenômeno conhecido como fotoevaporação. Essa erosão atmosférica deve durar cerca de 100 milhões de anos, à medida que cada planeta perde parte significativa de seu gás, revelando um núcleo rochoso denso.

Evolução para super-Terras e sub-Netunos

Os dois planetas mais próximos da estrela parecem destinados a perder totalmente suas atmosferas, tornando-se super-Terras rochosas. Os mais distantes, ainda mais massivos, podem reter parte de sua atmosfera, evoluindo para sub-Netunos — mundos parcialmente gasosos menores que Netuno.

Implicações para a formação planetária

Essas observações fornecem evidências concretas do processo de formação e evolução desses planetas comuns, explicando a ausência deles no nosso sistema solar e sugerindo que sistemas compactos, com planetas de tamanhos semelhantes e órbitas regulares, são normais no cosmos.

A pesquisa, publicada na revista Nature em 7 de janeiro, abre caminho para compreender melhor a diversidade e o desenvolvimento dos exoplanetas, enquanto testemunhamos o que será um sistema planetário típico no universo.

Fonte: www.space.com

Fonte: Keith Cooper

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