BTG Pactual revela que diferença de preços da Shein frente a varejistas locais caiu com novas regras fiscais
BTG aponta que a vantagem de preço da Shein sobre Renner, Riachuelo e C&A diminuiu após mudanças nos impostos sobre importações abaixo de US$ 50 em 2024.
O BTG Pactual divulgou um estudo detalhado que indica que a vantagem de preço da Shein em relação às principais varejistas brasileiras, como Lojas Renner, Riachuelo e C&A, está diminuindo. Essa mudança é atribuída principalmente à introdução, em 2024, de impostos sobre importações de valor inferior a US$ 50, medida que reduziu a atividade de plataformas internacionais no país.
Análise do cenário de preços da Shein no Brasil
Segundo o BTG, a Shein ainda é cerca de 7% mais barata no Brasil do que nos Estados Unidos, mas quando avaliada em paridade de poder de compra, seu preço é 100% superior. Na comparação direta de uma cesta de oito produtos entre a Shein e os varejistas nacionais, a plataforma asiática apresenta preços 6% inferiores em relação à Riachuelo, 10% mais baratos que a Lojas Renner e 13% em relação à C&A.
Impactos da política fiscal e do ambiente local
Os analistas do BTG explicam que a redução da vantagem de preços da Shein deve-se a uma combinação de fatores complexos: além da tributação sobre importações de baixo valor, há volatilidade cambial, desafios logísticos e um sistema tributário brasileiro complexo. Ainda, a presença consolidada de marcas nacionais dificulta a penetração de empresas estrangeiras no mercado local.
Brasil, um mercado caro para moda
O relatório também reforça que o Brasil é um dos mercados mais caros para o consumidor de vestuário. Por exemplo, uma cesta de 12 produtos da Zara no país custa 3% a mais que nos Estados Unidos e 123% a mais em paridade de poder de compra. Essa realidade dificulta a competitividade para marcas internacionais, mesmo com a recente valorização do real frente ao dólar em 2025.
Tendências e desafios do setor de moda
O BTG destaca que o setor de moda sofreu disrupções significativas nos últimos anos, com a entrada de nomes internacionais, o crescimento do e-commerce e a migração dos consumidores para produtos mais acessíveis. As perspectivas indicam uma normalização da demanda entre consumidores de alta renda, pressão competitiva crescente no segmento de baixa e média renda e maior fragmentação dos pedidos.
Além disso, fatores como a volatilidade climática afetam as temporadas de venda, e a adoção de tecnologia e inteligência artificial é vista como elemento-chave para ganho de eficiência operacional no segmento.
Essas análises indicam um mercado em transformação, no qual a Shein ainda mantém alguma vantagem de preço, porém menos expressiva, diante de um ambiente fiscal e econômico desafiador para varejistas estrangeiros e nacionais.
Fonte: www.moneytimes.com.br
