Conflitos em Buenos Aires: Manifestantes enfrentam polícia contra reforma trabalhista

Protestos violentos marcam debate sobre nova legislação laboral na Argentina

Milhares de pessoas se mobilizam em Buenos Aires contra reforma proposta pelo governo Milei, resultando em confrontos com a polícia.

A capital argentina, Buenos Aires, foi palco de intensos protestos nesta quarta-feira, com milhares de manifestantes ocupando as ruas nas proximidades do Congresso. O motivo da mobilização é a reforma trabalhista proposta pelo governo de Javier Milei, que está em discussão no Senado. A manifestação foi organizada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), reunindo centrais sindicais, movimentos sociais e setores do peronismo.

Contexto da Reforma Trabalhista

A reforma trabalhista em debate busca alterar significativamente a legislação laboral argentina. Entre as principais mudanças estão a revisão dos critérios para o cálculo de indenizações em casos de demissão sem justa causa, excluindo elementos como 13º salário, férias e bônus da base de cálculo. O governo alega que tais mudanças visam trazer previsibilidade e reduzir disputas judiciais. Contudo, críticos argumentam que a proposta pode facilitar demissões e precarizar as condições de trabalho.

Além disso, a reforma estabelece a criação do Fundo de Assistência Laboral (FAL), financiado por contribuições dos empregadores, destinado a cobrir indenizações. Mudanças nas regras relativas a acordos coletivos e licenças médicas também são parte da proposta, que, se aprovada, seguirá para a Câmara dos Deputados.

Detalhes dos Conflitos

Desde o início da tarde, a situação foi se deteriorando. A concentração de manifestantes começou na Plaza de los Dos Congresos e, à medida que o tempo passava, o número de participantes aumentava, obstruindo vias nas redondezas. A força policial, composta por unidades da Polícia Federal, Gendarmaria Nacional e outras, utilizou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os protestos. Os manifestantes, por sua vez, reagiram com objetos e coquetéis molotov, formando barricadas em alguns pontos.

A ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, anunciou que ao menos dez pessoas foram identificadas e poderão ser processadas por sua participação nos confrontos, que ela descreveu como ataques organizados. O Congresso permanece cercado por grades, e o acesso à área está severamente restrito devido à presença policial.

Consequências e Impactos

O cenário se delineia como um novo capítulo na relação entre governo e sindicatos na Argentina. A aprovação da reforma trabalhista pode resultar em uma nova onda de descontentamento entre os trabalhadores e suas organizações. A oposição, que boicotou a sessão de abertura, expressa forte resistência às propostas do governo. As consequências sociais e políticas desses confrontos podem ressoar por um longo tempo, provocando debates acalorados sobre as direções que a legislação laboral deve tomar no país.

Conclusão

Os eventos em Buenos Aires refletem um momento de tensão na política argentina, com a reforma trabalhista de Javier Milei se tornando um ponto de discórdia entre governo e sociedade. A reação enérgica da população indica que a aprovação das reformas não será um processo tranquilo, e a pressão sobre o governo deve aumentar nas próximas semanas.

Fonte: www.metropoles.com

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