A psicoterapeuta, Luciana Lima, analisa que durante muito tempo o mercado de wellness e esporte operou a partir de uma lógica fragmentada, que é o treino de um lado e a família de outro. Segundo ela, essa separação, embora comum, gera um custo invisível, especialmente para mulheres e para pessoas que exercem funções de cuidado. Modelos que ignoram essa dinâmica, afirma, tendem a perder freqüência, engajamento e retenção ao longo do tempo.
De acordo com Luciana, quando um espaço de wellness entende que a família não é um obstáculo, mas parte da equação, o impacto passa a ser direto tanto na experiência do público quanto no desempenho do negócio. É nesse contexto que surge um diferencial cada vez mais relevante:, de não separar a família, mas integrá-la.
Na prática, a terapeuta destaca que a Surf Center opera como uma estrutura de apoio familiar. Enquanto uma pessoa surfa ou treina, a família permanece no mesmo ambiente, com possibilidades reais de convivência, programação paralela e experiências compartilháveis. Esse modelo, explica, reduz a fricção clássica de ter que “escolher entre cuidar de si ou estar com a família”.
Segundo Luciana Lima, essa integração transforma a vivência esportiva em algo sustentável no cotidiano, e não em um esforço pontual que depende de negociações logísticas constantes.
Impacto direto no modelo de negócio
Para a terapeuta parental, quando o esporte deixa de competir com a dinâmica familiar, os efeitos são claros. Entre eles estão o aumento de freqüência, com mais visitas por domicílio e não apenas por indivíduo; a maior retenção, já que diminui o abandono causado por falta de tempo, culpa ou sobrecarga logística, além da elevação do valor percebido, pois o benefício deixa de ser individual e passa a ser coletivo.
Segundo Luciana, o resultado é a construção de um vínculo mais duradouro entre as famílias e o espaço, fortalecendo a comunidade e a sustentabilidade do negócio.
Luciana Lima ressalta, porque isso é especialmente relevante para mulheres e para mães. É porque esse modelo tem um impacto ainda mais significativo quando se observa a realidade feminina.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que, globalmente, mulheres são menos fisicamente ativas do que homens, uma diferença persistente ao longo dos anos.
Um dos principais fatores por trás desse cenário, segundo a terapeuta, é o que especialistas chamam de “time poverty”, que é a pobreza em tempo real. Mulheres ainda assumem uma parcela desproporcional no trabalho doméstico e no cuidado não remunerado, o que reduz drasticamente o tempo disponível para autocuidado e prática esportiva.
Estudos também mostram, conforme explica Luciana, que a transição para a parentalidade está associada a uma queda significativa na atividade física, especialmente entre mães. As barreiras mais citadas incluem falta de tempo, exaustão física e emocional, além da culpa por se priorizar.
Na avaliação de Luciana Lima, quando um espaço esportivo considera essa realidade e cria soluções que acolhem a família como um todo, ele não apenas amplia o acesso das mulheres ao esporte, mas também contribui para um modelo mais justo, inclusivo e alinhado com a vida real.
Integrar família e wellness, conclui a terapeuta parental, não é apenas uma escolha de experiência, e sim uma estratégia inteligente de mercado e um posicionamento social coerente com os desafios contemporâneos.