Expectativas frustradas marcam a conferência COP30, destacando a ausência dos Estados Unidos
A COP30 terminou em frustração, sem planos firmes para a descarbonização, destacando a ausência dos EUA nas negociações.
COP30 em Belém: A ausência dos EUA e suas consequências
O COP30, realizado em Belém, Brasil, terminou neste fim de semana com frustração entre os defensores do meio ambiente. A conferência anual da ONU, que reuniu mais de 190 países, não resultou em um plano firme para a eliminação de combustíveis fósseis, um passo crucial segundo cientistas para abordar a crise climática. A ausência dos Estados Unidos, que pela primeira vez na história de 30 anos da conferência não enviaram representantes oficiais, foi um fator destacado por muitos especialistas.
O professor de relações internacionais Matt McDonald, da Universidade de Queensland, observou que a falta de uma delegação americana inicialmente pode ter sido vista como um alívio para algumas nações, que esperavam negociar ações climáticas ousadas. Contudo, à medida que as negociações avançavam, a ausência dos EUA pode ter encorajado países produtores de petróleo, como Rússia e Arábia Saudita, a resistir a planos de transição energética.
Consequências das negociações
A COP30, assim como o acordo de Paris de dez anos atrás, concluiu-se sem mencionar a eliminação dos combustíveis fósseis. Michael E. Mann, um renomado cientista climático, ressaltou que um acordo climático sem uma linguagem explícita sobre a eliminação de combustíveis fósseis é como um cessar-fogo sem um pedido claro para a suspensão das hostilidades. Na conferência, um primeiro rascunho de acordo havia proposto diversas sugestões para acabar com o uso internacional de combustíveis fósseis, recebendo o apoio de mais de 80 países.
Movimentos e reações
A intensidade do clamor por uma ação mais decisiva foi considerada sem precedentes na história das COPs. Genevieve Guenther, diretora da End Climate Silence, comentou que o evento refletiu uma mudança nas discussões e abordagens sobre o futuro do clima. A ausência dos EUA também motivou outras nações a se unirem em torno de uma agenda climática mais robusta. No entanto, a pressão exercida por potências do petróleo para excluir essas discussões do acordo final foi significativa.
Um futuro incerto
A meta estabelecida no acordo de Paris, de limitar o aquecimento global a menos de 2 graus Celsius, parece agora mais distante. McDonald, no entanto, sugere que ainda há motivos para esperança. Ele observa que o mundo está fazendo progressos modestos nas emissões de CO2, com ou sem a participação dos EUA. A China, maior emissora global de carbono, também tem investido massivamente em energias renováveis e se comprometeu a reduzir suas emissões em pelo menos 7% até 2035.
A resposta dos líderes locais
Na conferência, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, foi um dos líderes dos EUA mais ativos, afirmando que a ausência de Trump foi uma oportunidade para líderes locais se destacarem. Ele enfatizou que, mesmo sem um consenso global, um grupo significativo de nações com foco climático poderia ter um impacto real. Em resposta à falta de consenso sobre o abandono dos combustíveis fósseis, um grupo de pelo menos 24 países, liderado pela Colômbia e pelos Países Baixos, anunciou que realizará uma contraconferência em abril para estabelecer um plano eficaz.
Possíveis caminhos para o futuro
Genevieve Guenther acredita que essas nações podem formar um bloco comercial global que poderia forçar os países produtores de petróleo a iniciar um processo de descarbonização. Apesar das dificuldades, este caminho pode representar uma nova forma de ação coletiva em um cenário onde muitos se sentem desanimados pela falta de compromisso nas negociações globais.
Fonte: www.motherjones.com
Fonte: Getty