Reflexões sobre a festa e sua importância cultural
A tradição de Cosme e Damião enfrenta desafios contemporâneos, mas continua a ser celebrada por muitas crianças no Brasil.
No dia 27 de setembro, crianças vão às ruas em busca dos tão esperados saquinhos de doces em homenagem aos santos gêmeos São Cosme e Damião. O historiador Luiz Antonio Simas, em seu novo livro infantil, “As três estrelas do céu — Cordel para Cosme e Damião”, lançado neste sábado, 27, no Rio, discute a origem histórica da tradição e seu significado cultural. Ele ressalta como a festa é ameaçada por processos de urbanização e racismo religioso.
A origem e a importância da tradição
A distribuição de doces em homenagem a Cosme e Damião é um costume entranhado na cultura popular brasileira, muito ligado a terreiros de Umbanda. Essa prática revela o encruzilhamento entre diferentes religiões, onde os santos se aproximam de Ibeji, orixá africano que protege os gêmeos. Simas destaca que, apesar das dificuldades, a festa ainda resiste, principalmente nas zonas mais periféricas do Rio de Janeiro.
Desafios contemporâneos
O historiador menciona que a tradição enfrenta ameaças, como a urbanização e a violência, além do crescimento do racismo religioso, que demoniza referências afro-brasileiras. Embora a festa ainda seja celebrada, a participação das novas gerações é impactada pelo uso excessivo de celulares, que altera a forma de interação entre as crianças.
Reflexões sobre a coletividade
Simas, que cresceu distribuindo doces com sua avó, hoje continua a tradição com sua companheira. Ele espera que seu livro não apenas diverte, mas também chame a atenção para a importância das festas como experiências coletivas em um mundo cada vez mais individualista. A luta pela preservação desses rituais é fundamental para manter viva a cultura popular e o sentido de comunidade.
A tradição de Cosme e Damião, portanto, não é apenas uma festividade, mas um símbolo de resistência cultural frente aos desafios da modernidade.