Cpi do banco Master enfrenta resistência do Centrão apesar da união entre governo e oposição

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakifoto

Parlamentares unem forças para instalar comissão de investigação, mas aliados do dono do banco travam processo

CPI do banco Master reúne 257 assinaturas, mas encontra resistência no Centrão devido a vínculos políticos com o dono da instituição, Daniel Vorcaro.

A CPI do banco Master tornou-se um ponto de convergência entre governo e oposição no Congresso Nacional em janeiro de 2026. A segunda fase da operação Compliance Zero revelou um complexo esquema de fraudes envolvendo o banco, o que motivou a apresentação de múltiplos requerimentos para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ou uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).

Pressão política e apoios expressivos

O requerimento mais significativo na Câmara dos Deputados foi protocolado pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) em 23 de dezembro de 2025. Em poucos dias, o documento reuniu 257 assinaturas de parlamentares das duas Casas, incluindo nomes de destaque como o senador Fabiano Contarato (PT-ES) e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN). Jordy enfatizou que evidências indicam que os fundos fraudulentos do banco Master podem ter atingido previdências estaduais e municipais, o que amplia o impacto do caso.

Resistência do Centrão

Apesar do amplo apoio, o avanço da CPI do banco Master encontra obstáculos no grupo do Centrão. Integrantes dessa bancada demonstram maior resistência, em parte por manterem relações próximas com Daniel Vorcaro, proprietário do banco investigado. Essa ligação política contribui para emperrar a instalação oficial do colegiado, demonstrando os desafios para a fiscalização política diante de interesses conflitantes.

Desdobramentos na CPMI do INSS

O escândalo do banco Master também repercute na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), integrante da CPMI, divulgou uma lista relacionando pastores e igrejas ao esquema investigado, incluindo o pastor e empresário Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.

Deputados governistas, como Alencar Santana (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG), articulam a convocação de Zettel para prestar esclarecimentos na CPMI. Sua possível convocação representa um ponto de tensão política, já que ele contribuiu financeiramente com R$ 3 milhões para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros R$ 2 milhões para a candidatura de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo.

Impacto e perspectivas

A CPI do banco Master simboliza um esforço conjunto para investigar fraudes com impacto direto em fundos públicos e previdenciários. A união entre governo e oposição sinaliza a gravidade das suspeitas, mas as barreiras impostas pelo Centrão mostram as dificuldades para o avanço de investigações que atingem interesses políticos consolidados. O desenrolar das investigações e possíveis desdobramentos na CPMI do INSS poderão redefinir o cenário político e judicial nos próximos meses.

![Fachada e arcos do STF com Congresso Nacional ao fundo](https://www.metropoles.com/wp-content/uploads/wp-content/uploads/2025/12/03154733/Fachada-e-arcos-do-STF-com-Congresso-Nacional-ao-fundo-Metropoles-1-600×400-1.jpeg “Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakifoto”)

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakifoto

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