Líderes do Centrão hesitam em apoiar investigação sobre o Banco Master, apesar da pressão crescente no Congresso
CPI do caso Banco Master encontra resistência entre líderes do Centrão, que citam pressões internas e envolvimento de aliados no escândalo.
A CPI do caso Banco Master enfrenta resistência significativa entre os líderes do Centrão, mesmo diante da pressão crescente por investigações aprofundadas no Congresso Nacional. Desde o início do recesso parlamentar, pedidos para abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito aumentaram, com parlamentares de direita e esquerda buscando explorar as suspeitas que envolvem a instituição financeira.
Resistência no Centrão e articulações na Câmara
Um influente líder do Centrão, que preferiu não se identificar, revelou que há “forças internas trabalhando contra” a instalação da CPI, ressaltando o envolvimento de “muita gente amiga” no caso. Esse posicionamento reflete a complexidade política da crise, que coloca aliados em situação delicada.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou uma reunião para o dia 28 de janeiro com os líderes partidários para avaliar a viabilidade da comissão. Segundo fontes internas, a maioria para aprovar a CPI ainda é incerta, e a resistência do Centrão pode dificultar a aprovação.
Apesar disso, parlamentares reconhecem que a gravidade do escândalo bilionário torna politicamente arriscado ignorar o caso, especialmente com o calendário eleitoral se aproximando, o que aumenta a sensibilidade sobre possíveis desgastes políticos.
Condução das investigações no Senado
Enquanto a Câmara debate a abertura da CPI, o Senado já sinalizou que pretende concentrar as investigações na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), presidida por Renan Calheiros (MDB-AL). O senador apresentou uma instrução normativa que amplia os poderes do colegiado para acompanhar o caso, incluindo convocações, pedidos de informação e proposição de iniciativas legislativas.
A CAE poderá solicitar dados às autoridades competentes e propor medidas legislativas relacionadas à crise do Banco Master, ampliando o escopo e a transparência das apurações.
Contexto da crise do Banco Master
O Banco Master teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro do ano anterior, o que suspendeu imediatamente suas operações e afastou a diretoria da instituição. Daniel Vorcaro, proprietário do banco, está sob investigação da Polícia Federal em um inquérito sigiloso no Supremo Tribunal Federal.
Um liquidante foi nomeado para conduzir o processo de ressarcimento aos credores, identificando ativos, passivos e possíveis irregularidades que possam ter contribuído para a falência da instituição.
Impactos políticos e próximos passos
A articulação em torno da CPI reflete a tensão entre a necessidade de transparência e os interesses políticos que podem ser afetados pela investigação. O desenrolar dessa situação nos próximos dias, especialmente após a reunião dos líderes da Câmara, será decisivo para o encaminhamento do caso no âmbito legislativo.
Com a proximidade do retorno dos trabalhos parlamentares em fevereiro, o tema promete ser um dos mais debatidos, com desdobramentos que podem influenciar o cenário político nacional e as estratégias eleitorais.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakifoto