A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS ouviu nesta segunda-feira o advogado Eli Cohen, figura central na investigação que expôs um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões. Sua atuação foi crucial para revelar a magnitude da fraude que lesou milhares de beneficiários. A expectativa é que seu depoimento forneça detalhes importantes sobre o modus operandi do esquema e os responsáveis.
O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), destacou a importância de Cohen para o caso. “O advogado Eli Cohen teve papel fundamental para desvendar o esquema criminoso envolvendo fraudes em descontos contra aposentados e pensionistas do INSS”, afirmou Gaspar, justificando o requerimento para ouvi-lo na comissão. O convite ao advogado também atendeu a pedidos dos senadores Fabiano Contarato (PT-ES) e Rogerio Marinho (PL-RN).
Segundo os requerimentos, Cohen atuou diretamente em processos de apuração das fraudes, que envolviam entidades associativas realizando descontos indevidos nos benefícios previdenciários. A CPMI busca esclarecer o papel dessas entidades e a extensão dos danos causados aos aposentados e pensionistas. O objetivo é identificar os responsáveis e propor medidas para evitar que fraudes semelhantes se repitam.
A oitiva de Cohen se soma a outros depoimentos importantes já colhidos pela CPMI, como o da coordenadora da Câmara de Coordenação e Revisão Previdenciária da DPU, Patrícia Bettin Chaves, e do delegado da PF Bruno Bergamaschi. A comissão tem como prioridade investigar a fundo o esquema de descontos ilegais, que veio à tona após operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) em abril.
Estima-se que as entidades envolvidas no esquema tenham cobrado indevidamente cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024. A CPMI busca agora identificar todos os envolvidos e responsabilizá-los pelos prejuízos causados. A expectativa é que as investigações resultem em medidas concretas para proteger os beneficiários do INSS de futuras fraudes.