Camisotti: CPMI revela que família recebeu mais que Careca do INSS

Relato do deputado Alfredo Gaspar destaca valores exorbitantes

Relatório da CPMI do INSS aponta que a família Camisotti movimentou valores superiores aos atribuídos ao Careca do INSS.

A CPMI do INSS trouxe à tona informações alarmantes sobre a movimentação financeira da família Camisotti, que, segundo o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), recebeu valores expressivos, substancialmente superiores aos atribuídos ao notório Careca do INSS. Durante a audiência realizada no dia 26 de janeiro de 2026, ficou evidente que a operação da família Camisotti representa um dos maiores esquemas de corrupção que o país já presenciou, levantando questões sobre a necessidade de uma investigação mais aprofundada.

O contexto do escândalo

O escândalo em questão envolve um vasto esquema de descontos ilegais sobre aposentadorias e pensões do INSS, com a participação de várias entidades e empresas que, segundo os parlamentares, operavam como intermediárias para desviar recursos públicos. O Careca do INSS já era visto como um dos principais operadores financeiros nesse contexto, mas agora, as revelações sobre a família Camisotti colocam uma nova perspectiva sobre a magnitude do problema.

As investigações apontam que as entidades ligadas à família movimentaram mais de R$ 800 milhões, dos quais cerca de R$ 350 milhões foram diretamente canalizados para empresas associadas aos Camisotti. Essas cifras sugerem uma estrutura criminosa sofisticada e bem organizada, que operava com o objetivo de lesar aposentados e pensionistas em um esquema de enriqueceimento ilícito.

As revelações da CPMI

Durante seu depoimento à CPMI, Paulo Camisotti, que se apresentou como testemunha, optou pelo silêncio em diversos momentos, mesmo quando questionado sobre a relação de suas empresas com os esquemas de fraudes. O relator Gaspar destacou que Paulo é o representante ou presidente de mais de 20 empresas, o que levanta suspeitas sobre a origem de seus recursos financeiros. A falta de clareza sobre as atividades dessas empresas, somada à alta movimentação financeira, indica um possível envolvimento mais profundo do depoente nas fraudes.

Parlamentares, como o senador Izalci Lucas (PL-DF), acusaram Maurício Camisotti de ter estabelecido uma “grande estrutura para roubo de aposentados”, sugerindo que Paulo não apenas herdou a operação criminosa, mas também desempenhou um papel ativo na sua execução. A insistência dos membros da CPMI em mudar o status de Paulo de testemunha para investigado sinaliza a urgência de responsabilizar todos os envolvidos no esquema.

Impactos futuros e considerações

As consequências desse escândalo são imensas. Se comprovadas as acusações, a família Camisotti pode não apenas enfrentar penas severas, mas também permitir que a CPMI avance em sua busca por justiça para as vítimas de fraudes do INSS. A possibilidade de que outros envolvidos optem pela delação premiada, como sugerido por alguns senadores, pode acelerar ainda mais as investigações e revelar outros envolvidos no esquema.

Senadores como Damares Alves (Republicanos-DF) sugeriram que a colaboração de Paulo e Maurício com as investigações poderia ser benéfica, ressaltando que muitos detentos já estão negociando acordos de delação. Essa pressão pode criar um divisor de águas na investigação e potencialmente levar a uma rede mais ampla de corruptos à justiça.

Conclusão

A CPMI do INSS, ao descobrir que a família Camisotti recebeu cifras exorbitantes em um esquema de fraudes, coloca em evidência as falhas sistêmicas no controle de pagamentos de aposentadorias e pensões no Brasil. O desfecho das investigações não apenas determinará a responsabilização dos envolvidos, mas também poderá provocar uma reavaliação das práticas de fiscalização e controle dentro do INSS, essencial para coibir futuros abusos.

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